A Organização Internacional para as Migrações (OIM) demonstrou preocupação com múltiplos relatos de naufrágios fatais no Mediterrâneo Central nos últimos dias. O sul da Itália, região banhada pelo Mediterrâneo Central, foi atingida nos últimos dias pelo Ciclone Harry, que teve ventos de até 150 quilômetros por hora e ondas de até 10 metros de altura.
De acordo com um comunicado da OIM, acredita-se que várias embarcações tenham estado envolvidas nos naufrágios nos últimos dez dias, com informações sugerindo que centenas de pessoas possam estar desaparecidas ou mortas, visto que as condições climáticas adversas dificultaram significativamente as operações de busca e salvamento.
“Essas tragédias ressaltam, mais uma vez, as consequências letais das redes de contrabando e tráfico de migrantes que continuam operando impunemente, enviando pessoas deliberadamente ao mar em embarcações superlotadas e em condições precárias de navegabilidade, e destacam a necessidade urgente de a comunidade internacional intensificar os esforços para desmantelar essas redes criminosas e evitar mais perdas de vidas”, destaca o comunicado.
Segundo a OIM, na ilha italiana de Lampedusa foram confirmadas três mortes após uma operação de busca e salvamento envolvendo uma embarcação que partiu de Sfax, na Tunísia. Entre as vítimas estão duas meninas gêmeas de cerca de um ano de idade, que morreram de hipotermia, e um homem que também morreu de hipotermia.
De acordo com sobreviventes da mesma operação, outra embarcação partiu do mesmo local e no mesmo horário que a deles, mas não chegou ao destino, o que traz preocupações de que essa embarcação possa ter se envolvido em um naufrágio.
A OIM destaca que as informações ainda estão incompletas enquanto a organização trabalha para esclarecer o destino das pessoas a bordo. O comunicado traz, ainda, o relato de um sobrevivente resgatado por uma embarcação comercial que afirmou ter sobrevivido a um naufrágio no qual pelo menos 50 pessoas podem estar desparecidas ou mortas.
Segundo a OIM, a Guarda Costeira italiana estaria coordenando operações de busca para localizar outras embarcações dadas como desaparecidas ou em perigo nos últimos dias. Há relatos de que pelo menos 51 pessoas teriam perdido a vida em um naufrágio na costa de Tobruk, na Líbia. A organização destaca que, embora esteja aguardando a confirmação oficial, a dimensão das fatalidades relatadas aponta para mais uma grande tragédia no Mediterrâneo Central.
A organização recorda que esses incidentes ocorreram durante a passagem do Ciclone Harry no Mediterrâneo, uma tempestade excepcionalmente violenta. “O contrabando de migrantes em embarcações superlotadas e em péssimas condições de navegabilidade é um ato criminoso. Organizar partidas enquanto uma forte tempestade atingia a região torna essa conduta ainda mais repreensível, visto que as pessoas foram enviadas ao mar conscientemente em condições que representavam um risco quase certo de morte”, destaca o comunicado.
A OIM reforçou o temor de que, ainda nas primeiras semanas de 2026, centenas de pessoas estejam desaparecidas, enquanto são aguardados os resultados das buscas em andamento por embarcações que ainda não foram localizadas. “O número final de vítimas pode ser significativamente maior, um lembrete contundente de que essa rota continua sendo o corredor migratório mais mortal do mundo”, destaca o texto.
De acordo com o projeto Migrantes Desaparecidos, da OIM, 1.340 pessoas perderam a vida ao tentar cruzar o Mediterrâneo Central durante 2025, de um total de 25.927 desde 2014, quando os dados começaram a ser contabilizados.
O Mar Mediterrâneo concentra o maior acumulado de mortes de migrantes em rotas migratórias em todo o mundo, com 33.362 registros desde 2014. No total, 80.217 mortes de migrantes foram registradas em 12 anos, número que pode ser ainda maior devido à subnotificação e casos não relatados.
Por Amanda Almeida, do Serviço de Comunicação









