Nem sempre nos damos conta das marcas que deixamos na vida das pessoas por meio de nossa presença e da caminhada realizada junto aos pobres e migrantes. A luta pela vida e pela justiça, iluminada e fortalecida pela alegria do Evangelho, faz a diferença na missão.
No dia 6 de agosto, a Diocese de Goiás celebrou os 40 anos da Comissão Pastoral da Terra (CPT). Em reconhecimento à sua significativa presença nessa caminhada, a Ir. Zenaide Ziliotto foi convidada a integrar o grupo de homenageados e a receber, nesta edição especial, o “Prêmio Dom Tomás”.
Embora tudo estivesse preparado para sua participação, um imprevisto pessoal a impediu de estar presente na celebração. Ao mesmo tempo, teve a possibilidade de solicitar a três pessoas que fizeram parte dessa caminhada que a representassem. Elas acolheram o convite com muita alegria, o que ajudou a suavizar o sentimento de não poder estar presente.
Ao recordar sua atuação nesse período, especialmente durante as décadas de 1980 e 1990, Ir. Zenaide destaca essa experiência como um verdadeiro tempo de graça e fortalecimento da fé e da coragem de viver a missão como discípula e missionária scalabriniana.
Sua presença junto às comunidades buscava favorecer a permanência do povo no campo, evitando, sobretudo, a migração para os grandes centros urbanos, e contribuindo para o retorno à terra daqueles que tinham vocação e desejo de viver e trabalhar no campo. Era um contexto marcado pela realidade de “muita terra sem gente e muita gente sem-terra”, em que a luta pelo direito à terra e pela dignidade das famílias constituía uma importante expressão da defesa da vida.
Ao recordar essa trajetória, Ir. Zenaide expressa sua profunda gratidão:
“Gratidão a Deus por ter vivido esta experiência e pela coragem que me deu em tantos momentos difíceis, justamente pela defesa da vida dos pobres e migrantes. Gratidão à Diocese, que me confiou tão grande missão; gratidão à Congregação, que me possibilitou esta presença, e às Irmãs que viveram comigo e me apoiaram nos momentos mais conflitivos.”
A Ir. Zenaide também manifesta gratidão e carinho a todos aqueles que foram protagonistas dessa história: pobres, migrantes, posseiros e famílias que enfrentaram despejos e tantas outras situações de vulnerabilidade.
“Somos sempre instrumentos nas mãos de Deus”, afirma, reconhecendo que a missão realizada ao longo daqueles anos foi fruto de uma caminhada construída com muitas pessoas e iluminada pela fé.
O Prêmio Dom Tomás torna-se, assim, uma expressão de reconhecimento por uma trajetória marcada pelo compromisso com a vida, a justiça e a dignidade dos pobres e migrantes, e pela presença missionária junto às comunidades do campo.



Por Ir. Zenaide Ziliotto, com o Serviço de Comunicação












