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A Quaresma sob o olhar das Scalabrinianas: Peregrinação, Conversão e Acolhida

A Quaresma é, por excelência, o tempo favorável para a metanoia (conversão do coração). Para as Scalabrinianas, este período ganha uma tonalidade única, profundamente ligada seu carisma fundacional: a evangelização e o serviço aos migrantes e refugiados.

Fundada pelo Bem-aventurado João Batista Scalabrini, a Congregação vê na jornada quaresmal um reflexo da própria condição humana: somos todos migrantes a caminho da Páscoa definitiva.

A Quaresma como Travessia
O carisma das Scalabrinianas interpreta o deserto quaresmal não apenas como um lugar de privação, mas como o espaço da travessia. Assim como o povo de Israel migrou do Egito para a Terra Prometida, as Scalabrinianas convidam os fiéis a olhar para os “desertos” modernos:

  • As fronteiras geográficas e existenciais.
  • A solidão do migrante em terras estranhas.
  • A busca por dignidade em meio à indiferença.

Jejum, Oração e Esmola: A Prática da Hospitalidade
No contexto das Scalabrinianas, as práticas quaresmais tradicionais são ressignificadas através da lente da mobilidade humana:

  • Oração: É o momento de interceder por aqueles que estão “a caminho”, pelos que perderam suas raízes e pelos que buscam um lar. É uma oração que se faz comunhão com o sofrimento do Cristo que ainda hoje sofre no migrante.
  • Jejum: Mais do que abster-se de alimento, o jejum scalabriniano é um convite a “abrir espaço” para o outro. É jejuar do egoísmo e da xenofobia para alimentar a cultura do encontro.
  • Esmola (Caridade): Traduz-se em hospitalidade concreta. Para as irmãs, a caridade quaresmal é o reconhecimento de Jesus no estrangeiro (“Fui estrangeiro e me acolhestes”).

O Mistério Pascal e a Ressurreição sem Fronteiras
A caminhada para a Páscoa, para uma Scalabriniana, é a esperança de que nenhuma fronteira seja barreira para o amor de Deus. A ressurreição de Cristo é a promessa de que a fragmentação causada pela migração forçada, pela dor da despedida e pelo preconceito pode ser superada pela comunhão universal.

“Fazer-se migrante com os migrantes” é o caminho quaresmal que leva à verdadeira alegria pascal, onde não há mais estrangeiros, mas apenas irmãos e irmãs.

Reflexão para este Tempo
Viver a Quaresma com as Scalabrinianas é perguntar-se diariamente: Quem é o próximo que bate à minha porta e como posso ser “pátria” para quem não tem onde repousar a cabeça?

Por Wellington Barros, do Serviço de Comunicação

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