O Papa Leão XIV recebeu, nesta quinta-feira, 22, na Sala Paulo VI, no Vaticano, os participantes do Congresso Internacional sobre Pastoral Escolar e Universitária. Em seu discurso, o Pontífice destacou o papel das instituições educativas católicas na formação integral dos jovens, ressaltando a importância do acolhimento, da busca pela verdade e da educação do coração.
Ao saudar os participantes, vindos de diversas partes do mundo, o Papa agradeceu pelo trabalho desenvolvido nas instituições educativas e acadêmicas em favor do anúncio do Evangelho e da dignidade humana. Ele também chamou a atenção para os desafios enfrentados por muitos estudantes, como as famílias feridas, a solidão digital, o sentimento de inadequação e o medo diante de um futuro incerto.
Nesse contexto, Leão XIV enfatizou que as escolas e universidades católicas devem ser espaços de acolhida e pertencimento. “Como é importante que as escolas e universidades católicas sejam antes de mais nada ‘casa’, um lugar familiar onde se é esperado”, afirmou o Pontífice, que destacou que o anúncio do Evangelho acontece também por meio de gestos cotidianos de atenção e proximidade, como olhar nos olhos, lembrar o nome de cada estudante, perceber sua ausência e alegrar-se com seu retorno.
Educação para a verdade e a confiança
O Papa destacou que a pastoral escolar e universitária deve estimular a inteligência dos jovens, valorizar suas perguntas e favorecer o encontro entre fé e razão. Para ele, a missão educativa exige paciência e acompanhamento, respeitando o tempo necessário para o amadurecimento do pensamento e o discernimento.
Ao refletir sobre a cultura da eficiência e da competitividade, Leão XIV alertou para o impacto das exigências excessivas sobre os jovens, muitos dos quais vivem com medo de errar, de não corresponder às expectativas ou de serem mal interpretados, que os fazem desistir antes de tentar.
Diante dessa realidade, o Pontífice convidou os educadores a ajudar os jovens a se tornarem protagonistas de uma nova maneira de habitar o mundo, comprometidos com a fraternidade e a construção de uma sociedade mais justa. Ele ressaltou que a coragem nasce da confiança recebida e recordou o chamado dirigido a Bartimeu no Evangelho: “Coragem! Levanta-te, Ele chama-te!” (Mc 10,49).
Educar o coração para a compaixão
Outro ponto central do discurso foi a necessidade de uma educação que alcance não apenas a inteligência, mas também os sentimentos e as relações humanas. Leão XIV observou que, por trás das barreiras construídas por muitos adolescentes para evitar o sofrimento, permanece o desejo de amar e ser amado. “Uma pastoral escolar e universitária será tanto mais fecunda quanto mais se concentrar na educação do coração”, afirmou.
O Papa destacou a compaixão, a gratidão, a sensibilidade diante da dor do próximo e o desejo de Deus como dimensões fundamentais dessa formação. Nesse caminho, o serviço aos pobres, o voluntariado e o cuidado com a criação não devem ser considerados atividades secundárias, mas experiências que ajudam a ampliar a capacidade de amar e servir. “Não nos esqueçamos: caridade e oração são inseparáveis!”, reforçou.
Acompanhar os jovens no caminho
Ao concluir, Leão XIV alertou para as mensagens enganosas e as falsas promessas de respostas rápidas às inquietações dos jovens. Em contraposição, valorizou a missão daqueles que escolhem acompanhá-los ao longo de seu percurso, ajudando-os a reconhecer os dons que Deus depositou em cada um.
Como inspiração para essa missão, o Pontífice recordou o encontro de Jesus Ressuscitado com os discípulos de Emaús, quando Cristo se aproxima, caminha com eles, escuta suas inquietações e lhes explica as Escrituras até que seus corações voltem a arder.
Por Amanda Almeida, do Serviço de Comunicação
















