As Irmãs Scalabrinianas da Região Sudeste participaram, nos dias 11 e 12 de outubro, do Encontro de Formação Permanente. Foram dois dias de estudo, oração, dinâmicas em grupo e partilha fraterna, com uma pergunta de fundo: como fazer o carisma atravessar gerações e como exercer hoje uma liderança que escuta?
Primeiro dia: o carisma como critério de gestão
Com coordenação da Ir. Ana Conceição Sales, a assessora Dra. Geani Moller Cavallaro conduziu o tema “Sucessão e parcerias com leigos e espiritualidade: como fazer o carisma atravessar gerações”. A proposta foi aproximar espiritualidade e gestão: a espiritualidade dá o sentido, a missão aponta a direção e a gestão oferece os meios. Diante de cada escolha administrativa, uma pergunta orientou o dia: “Esta decisão aproxima ou afasta a instituição de sua razão de ser?”
Inspirada no envio dos discípulos “dois a dois” (Mc 6,7) e na Parábola dos Talentos, a assessora mostrou o caminho de liderança de Jesus, que chama, forma, delega, acompanha e envia de novo. Daí veio a reflexão sobre delegação e corresponsabilidade entre religiosas e leigos: delegar não é perder poder, é multiplicar a missão. As irmãs também encararam com coragem o tema da sucessão, a partir da pergunta “Quem poderá continuar a missão que hoje está em nossas mãos?”
Em oficinas práticas, os grupos montaram uma “Matriz da Continuidade”, definindo o que guardar, o que compartilhar, o que delegar e como acompanhar. Também levantaram sonhos e prioridades para os próximos cinco anos, unindo planejamento estratégico, governança e esperança.
Segundo dia: escutar, discernir, decidir e caminhar juntas
Com coordenação da Ir. Neuza Botelho dos Santos, o Pe. Miguel Martins, SJ, conduziu o tema “Conversação no Espírito, discernimento e sinodalidade”. Ele apresentou a sinodalidade como um modo de ser da Igreja, mais do que um método, e propôs quatro verbos para a liderança: escutar, discernir, decidir e caminhar. Lembrou que comunhão não é uniformidade e que autoridade não se confunde com controle. Destacou ainda uma ressonância própria do carisma scalabriniano: assim como a experiência migratória, a liderança sinodal pede que a pessoa se deixe deslocar, passando do “eu sei” ao “vamos escutar”.
Na parte prática, as Irmãs viveram em pequenos grupos a Conversação no Espírito em três movimentos: partilhar a partir da oração, ressoar o que tocou na escuta das outras e reconhecer juntas os apelos que surgiam. Tendo como ícone os discípulos de Emaús, cada grupo pensou na própria escola ou obra social. Ao final, cada um registrou um apelo, uma conversão e um passo concreto. Uma pergunta marcou a plenária: “Quem ainda não está à mesa?” Ela lembrou estudantes, famílias, migrantes, refugiados, colaboradores e pessoas em situação de vulnerabilidade, que precisam ser ouvidos nas decisões.



















Do Serviço de Comunicação













