Foi divulgada nesta sexta-feira, 13, a Mensagem do Papa Leão XIV para a Quaresma 2026, intitulada “Escutar e jejuar. Quaresma como tempo de conversão”. A Quaresma será iniciada na próxima quarta-feira, 18.
O Papa inicia o texto recordando que a Quaresma é o tempo em que a Igreja convida a “recolocar o mistério de Deus no centro da nossa vida, para que a nossa fé ganhe novo impulso e o coração não se perca entre as inquietações e as distrações do cotidiano.”
Ele destaca que o caminho de conversão começa quando nos deixamos alcançar pela Palavra e a acolhemos com espírito dócil. “O Itinerário quaresmal torna-se uma ocasião propícia para dar ouvidos à voz do Senhor e renovar a decisão de seguir Cristo, percorrendo com Ele o caminho que sobe a Jerusalém, onde se realiza o mistério da sua paixão, morte e ressurreição”, sublinha o Pontífice.
Dar lugar à Palavra através da escuta
Leão XIV destaca o verbo “escutar”, chamando a atenção para a importância de dar lugar à Palavra através da escuta, “pois a disponibilidade para escutar é o primeiro sinal com que se manifesta o desejo de entrar em relação com o outro.” Ele recorda que o próprio Deus, ao se revelar a Moisés na sarça em chamas, mostra que a escuta é uma característica distintiva do seu ser. “Escutar o clamor dos oprimidos é o início de uma história de libertação, na qual o Senhor envolve também Moisés, enviando-o a abrir um caminho de salvação para os seus filhos reduzidos à escravidão”, afirma o Papa, ao recordar a passagem de Êxodo 3,7.
“É um Deus que nos envolve e, hoje, também vem até nós com os pensamentos que fazem vibrar o seu coração. Por isso, escutar a Palavra na liturgia educa-nos para uma escuta mais verdadeira da realidade: entre as muitas vozes que passam pela nossa vida pessoal e social, as Sagradas Escrituras tornam-nos capazes de reconhecer aquela que surge do sofrimento e da injustiça, para que não fique sem resposta”, pontua o Papa.
Jejum como prática que predispõe a acolher a Palavra
O Papa aponta que, “se a Quaresma é um tempo de escuta, o jejum constitui uma prática concreta que nos predispõe a acolher a Palavra de Deus”. Ele destaca que a abstinência de alimentos torna mais evidente aquilo de que temos “fome” e o essencial para o sustento, sendo necessária para discernir os “apetites” e “manter vigilante a fome e a sede de justiça, subtraindo-a à resignação e instruindo-a a fim de se tornar oração e responsabilidade para com o próximo.”
Recordando Santo Agostinho, Leão XIV destaca que “o jejum permite-nos não só disciplinar o desejo, purificá-lo e torna-lo mais livre, mas também ampliá-lo, de tal modo que se volte para Deus e se oriente para agir no bem”. Ele sublinha, no entanto, que para que o jejum seja autêntico e não envaideça o coração, deve ser sempre vivido com fé e humildade, exigindo um “permanente enraizar-se na comunhão com o Senhor”, pois “não jejua verdadeiramente quem não sabe alimentar-se da Palavra de Deus.”
O Papa, então, exorta os fiéis a uma forma de abstinência concreta e “frequentemente pouco apreciada”: a abstinência de palavras que ferem o próximo. Ele faz um convite a desarmar a linguagem, acompanhado do esforço para medir as palavras e cultivar a gentileza nos diversos ambientes, para que as palavras de ódio deem lugar a palavras de esperança e paz.
Dimensão comunitária da Quaresma
“A Quaresma realça a dimensão comunitária da escuta da Palavra e da prática do jejum”, destaca o Papa, que aponta que a Escritura sublinha este aspecto de várias formas, exemplificando a passagem do livro de Neemias em que o povo se reúne para escutar a leitura pública do livro da Lei e, praticando o jejum, se dispõe à confissão de fé e à adoração para renovar sua aliança com Deus.
Da mesma forma, ele destaca, as paróquias, famílias, grupos eclesiais e comunidades religiosas são convidadas a percorrer um caminho partilhado durante a Quaresma, “no qual a escuta da Palavra de Deus, assim como do clamor dos pobres e da terra, se torne forma de vida comum e o jejum suporte um verdadeiro arrependimento.”
“Peçamos a graça de uma Quaresma que torne os nossos ouvidos mais atentos a Deus e aos últimos”, convida Leão XIV, que pede, ainda, a força de um jejum que passe pela língua e diminua as palavras ofensivas, aumentando o espaço dado à voz do outro. Ele pede aos fiéis o compromisso de fazer das comunidades “lugares onde o clamor de quem sofre seja acolhido e a escuta abra caminhos de libertação.”
Por Amanda Almeida, do Serviço de Comunicação













