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Scalabrinianas promovem reflexão sobre o amor humano e divino do Coração de Jesus em formação

Com participação de mais de 180 pessoas das paróquias de Pirapora/MG, as Irmãs Scalabrinianas Maria Helena Aparecida e Maria Lélis da Silva, colaboraram com palestras na formação para membros do Apostolado da Oração, realizada no dia 31 de maio, com o intuito de motivar os participantes a rezarem pelas vocações, contribuindo para a consolidação de uma cultura vocacional.

Iniciado com festiva celebração eucarística às 8h, seguida do café da manhã e animação com cantos alusivos ao Sagrado Coração de Jesus, o I Encontro se prolongou por todo o dia. Irmã Maria Helena abriu o evento com o tema: “A espiritualidade do Sagrado Coração de Jesus”, uma palestra formativa e informativa que recebeu acolhida por parte dos participantes gerando elogios à palestrante.

O encontro contou, também, com depoimentos marcantes, dentre eles o de uma senhora que foi evangélica por 30 anos e, vendo a devoção das amigas e de uma de suas irmãs, pediu para integrar o grupo do Apostolado do Sagrado Coração de Jesus e retornou à Igreja Católica.

Outro momento marcante foi a adoração coordenada pelo padre Douglas. Intercalando cantos, silêncio orante e orações, a adoração foi concluída com a possibilidade de que os participares tocassem Jesus no ostensório, falassem com Ele e estivessem diante dele com uma proximidade afetiva e física pelo tempo que quisessem. O momento gerou muita comoção entre as pessoas que aproveitaram para cultivar uma profunda intimidade com o Senhor e seu Sagrado Coração.

Aberta com cantos, a parte da tarde contou com uma reflexão realizada por Irmã Maria Lélis, que ajudou os participantes a entenderem a importância do coração, expressa na Carta Encíclica do Papa Francisco, Dilexit Nos, na qual ele reflete sobre o que a bíblia fala da importância do cultivo do coração. O Papa ressalta a importância do cultivo do próprio coração para que a pessoa não se torne autocentrada, individualista e indiferente à dor e às necessidades dos outros. “O coração é lugar da sinceridade onde não se pode enganar ou dissimular. No coração estão as verdadeiras intenções e os segredos mais íntimos da pessoa”, destaca o documento.

O Papa acrescenta: “Para conquistar uma vida sabia e feliz, é importante colocar em prática a palavra que diz: “Vela com todo o cuidado sobre o teu coração, porque dele jorram as fontes da vida. Preserva-te da linguagem enganosa, afasta de ti a maledicência” (Provérbios 4, 23-24). A mera aparência, a dissimulação e o engano danificam e pervertem o coração. É no coração que se decide tudo: ali não conta o que mostramos exteriormente ou o que ocultamos, ali conta o que somos. As coisas mais importantes da nossa vida são construídas no coração. As mentiras e aparências só trazem vazio”.

Durante a formação, Ir. Maria Lélis destacou que o coração não pode ser explicado por nenhuma ciência, porque, na concepção de Francisco, é uma das palavras que “significam realidades que dizem respeito ao homem no seu conjunto enquanto pessoa corpóreo-espiritual”. Ela pontuou, ainda, que quando apreendemos uma realidade com o coração podemos conhecê-la melhor e mais plenamente, o que conduz inevitavelmente ao amor de que esse coração é capaz.

Ela ressaltou que o coração torna possível qualquer vínculo autêntico. Uma relação que não é construída com o coração não pode ultrapassar a fragmentação do individualismo, gera uma sociedade dominada pelo narcisismo e pela autoreferencialidade, uma sociedade “anti-coração”, onde o outro não conta, sociedade egoísta e sem capacidade de relações saudáveis.

Ir. Maria Lélis sublinhou que uma sociedade que não cultiva o coração, se torna incapaz de acolher a Deus. É no coração que se produz a ligação entre a valorização do próprio ser e a abertura aos outros. O encontro consigo mesmo e o dom de si aos outros. Ela destacou, ainda, que só nos tornamos nós próprios quando adquirimos a capacidade de reconhecer o outro, e só encontra o outro quem é capaz de reconhecer e aceitar a própria identidade.

Ela apontou que nós somos o nosso coração, porque é ele que nos distingue, que molda a nossa identidade espiritual e que nos põe em comunhão com as outras pessoas. Nossos pensamentos e as decisões da nossa vontade podem ser detectadas e utilizadas pelos algoritmos, porque são facilmente previsíveis e manipuláveis, mas o nosso coração não.

Contudo, concluiu Ir. Maria Lélis, é necessário voltar-nos para Jesus para aprendermos do seu coração humano e divino, o caminho que nos leva ao Pai, ao outro e a nós mesmos para tornar-nos filhos no Filho.

Por Ir. Maria Lélis, com o Serviço de Comunicação

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