De acordo com o ACNUR, a Agência da ONU para Refugiados, 144 pessoas morreram ou estão desaparecidas após incidentes marítimos ocorridos na costa da Mauritânia na semana passada. A informação foi dada por Matthew Saltmarsh, porta-voz do ACNUR, durante coletiva de imprensa no Palácio das Nações, em Genebra. nesta terça-feira, 21.
De acordo com Saltmarsh, os migrantes estavam tentando realizar a perigosa travessia marítima da África Ocidental até a Europa, o que eleva a mais de 300 os números de mortes e desaparecimentos registrados na rota em 2026.
Segundo o porta-voz, três operações de resgate e desembarque foram realizadas entre 14 e 18 de julho em Nouadhibou, Mauritânia, que resgataram 387 migrantes de diversos países. Em 2026 já foram registrados 17 desembarques em Nouadhibou e Nouakchott, com um total de 2.147 pessoas resgatadas.
Em um dos barcos regatados em 18 de julho, foram resgatados 38 sobreviventes, entre eles duas crianças que perderam os familiares durante a viagem, com 143 pessoas dadas como desaparecidas ou mortas após quase 25 dias à deriva no Atlântico. O barco havia partido de Bufaloto, na Gâmbia, e tentava chegar à Espanha. Além das fatalidades registradas nesse barco, foi relatada uma morte entre os passageiros de um barco que chegou na Mauritânia no dia 14 de julho.
“A rota atlântica da África Ocidental em direção às Ilhas Canárias continua sendo um dos corredores de deslocamento misto mais mortais do mundo, devido às longas distâncias, às condições oceânicas imprevisíveis, às embarcações superlotadas e em condições precárias de navegabilidade e ao acesso limitado a resgates em tempo hábil”, afirmou Saltmarsh.
Segundo dados do Ministério do Interior da Espanha, 4.440 migrantes chegaram às Ilhas Canárias entre 1º de janeiro e 15 de julho, 61% a menos do que no mesmo período de 2025, quando foram registradas 11.454 chegadas. Apesar da queda, o porta-voz do ACNUR destacou que “os incidentes destacam os riscos persistentes enfrentados por refugiados e migrantes que tentam chegar à Europa, muitos dos quais embarcam a mais de 2.000 km de seu destino pretendido.”
De acordo com o ACNUR, as chegadas à Europa por via marítima nas principais rotas já ultrapassam 40.000 em 2026, em comparação com 65.407 no mesmo período de 2025. “Ainda assim, o ACNUR e seus parceiros têm alertado repetidamente que as mortes e os desaparecimentos no mar continuam em níveis alarmantes, com muitos incidentes ocorrendo longe dos holofotes e frequentemente resultando no desaparecimento de embarcações inteiras”, afirmou Saltmarsh.
Por Amanda Almeida, do Serviço de Comunicação, com informações do ACNUR














