Nesta sexta-feira, 12, o Papa Leão XIV se encontrou com os migrantes do Centro “Las Raíces”, em Tenerife, no último dia de sua Viagem Apostólica à Espanha, iniciada em 6 de junho. Esse momento foi seguido de um Encontro com as Organizações de Integração dos Migrantes.
O Centro “Las Raíces” é uma estrtutura temporária para migrantes, localizada em um antigo quartel militar no município de La Laguna, em Tenerife. O local é uma das principais instalações administradas pelo Ministério da Inclusão espanhol e ONGs para gerir os desembarques de emergência e, no total, já acolheu mais de 54 mil migrantes.
Em seu discurso, o Papa recordou a celebração da solenidade do Sagrado Coração de Jesus, destacando que “o amor de Deus não conhece fronteiras, não faz distinções, é concedido a todos e nos congrega na unidade, independentemente da nossa origem.”
“Penso também nos vossos corações, feridos por tantas dificuldades, mas igualmente consolados pelo amor recebido graças a outros corações abertos, generosos e misericordiosos”, afirmou o Papa ao recordar os testemunhos ouvidos no início do encontro.
O Papa citou, ainda, missionários das Ilhas Canárias, São Pedro de São José Betancur e São José de Anchieta, que partiram para anunciar o Evangelho na América. “Também eles foram migrantes que se dirigiram para o desconhecido, levando como principal bagagem a fé, a esperança e a caridade”, sublinhou.
Leão XIV destacou que, “naquelas terras desconhecidas, os santos migrantes e missionários souberam dar o que tinham e, ao mesmo tempo, acolher o novo que se lhes era oferecido”, convidando os migrantes a oferecerem a humanidade, sonhos e cultura que levaram consigo para as Ilhas Canárias e a estarem abertos para receber tudo que a eles é oferecido.
“Todos nós – de certa forma – somos migrantes, todos somos peregrinos a caminho da pátria celestial”, disse o Papa, incentivando todos contribuírem para fazer desta travessia “um lugar mais humano para todos, contribuindo com o que estiver ao alcance de cada um”. Ele agradeceu, ainda, a colaboração do Governo, de instituições e de homens e mulheres de boa vontade que tornam possível a ajuda humanitária aos migrantes.
Encontro com as organizações de integração dos migrantes
Após o encontro com os migrantes, o Papa Leão XIV se dirigiu à Praça do Cristo, onde se encontrou com as organizações de integração dos migrantes. “Chamou-me a atenção o que se diz desta cidade: que é uma cidade uma cidade aberta, sem muralhas”, disse no início de seu discurso.
Ele ressaltou que isso pode ajudar a compreender que, muitas vezes, as barreiras mais difíceis de derrubar se encontram no olhar, no medo ou na indiferença. “O mar, que rodeia estas ilhas, traz até nós histórias que nem sempre sabemos ler: histórias de dor, de esperança e de busca”, afirmou, sublinhando que, em uma cidade sem muralhas, o coração é chamado a se abrir para acolher essas histórias.
“Nas obras de integração destes nossos irmãos – tal como em toda a obra de caridade – a Igreja aprende a ler, na vida concreta daqueles que sofrem no corpo ou no espírito, um sinal vivo que remete para os Santos Evangelhos e que se torna legível, através do tato e da proximidade, quando tocamos nas feridas dos outros”, destacou o Papa.
Leão XIV apontou que integrar não significa apagar a história de quem chega, nem criar mundos paralelos onde as pessoas convivem se se encontrarem realmente. “Integrar é um caminho recíproco: quem chega aprende a habitar uma nova terra, e quem acolhe aprende a abrir a sua própria casa sem diluir a sua identidade nem fechar o coração ao encontro”, afirmou, destacando que aos migrantes cabe abrir-se com confiança à comunidade que os acolhe.
“Toda sociedade acolhedora tem deveres para com aqueles que chegam; e quem é acolhido descobre também que a dignidade, reconhecida como um direito, floresce quando se transforma em responsabilidade e em um desejo sincero de construir em conjunto com os outros. Assim, quem chegou como forasteiro pode reencontrar laços, reconstruir a confiança e sentir-se parte viva de uma comunidade. Esta é uma forma preciosa de misericórdia”, disse o Pontífice.
O Papa pontuou, ainda, que “a última palavra não pode pertencer ao medo, à indiferença nem à violência daqueles que negociam com a vida humana”, pois a última palavra pertence a Cristo, que se identifica com o estrangeiro e chama a reconhecê-lo em cada pessoa que precisa de ser acolhida, protegida, promovida e integrada. “Levantemos o olhar para Ele, sem desviá-lo daqueles que sofrem; olhemos para o Senhor para aprender a olhar os nossos irmãos com os seus olhos”, pediu.
Recordando a migração da Sagrada Família de Nazaré, o Papa destacou que eles seguem sendo, através dos tempos, “modelo e amparo de todas as famílias refugiadas, de todos os migrantes e de todas as pessoas que se veem obrigadas a abandonar a sua terra por medo, perseguição ou necessidade.”
De acordo com dados do Ministério do Interior da Espanha, durante o ano de 2025 pelo menos 17.788 migrantes chegaram às Ilhas Canárias por via marítima, de um total de 36.775 que chegaram ao país.
Segundo o órgão, desde o início de 2026 já foram registradas 2.499 chegadas de migrantes às Ilhas Canárias. No total, a Espanha já registrou a chegada de 10.224 migrantes desde janeiro, sendo 7.858 por via marítima.
Por Amanda Almeida, do Serviço de Comunicação














