A Coordenação da Pastoral dos Migrantes da Arquidiocese de Fortaleza/CE organizou no dia 4 de julho, no Centro de Pastoral Maria Mãe da Igreja, o encontro entre a coordenação de Pastoral, Pastoralistas voluntários e migrantes venezuelanos. O encontro teve como objetivo pensar e se unir como pastoral nas campanhas organizadas pela Caritas Nacional Brasileira e outras Instituições em apoio aos venezuelanos afetados pelos terremotos que atingiram o país.
O encontro foi uma resposta ao convite de Jesus: “Eu era migrante e você me acolheu” (Mt 25,35) e inspirado no Carisma Scalabriniano, que motiva a dizer: “No rosto do migrante eu vejo o rosto de Cristo.”
Como estratégia de cuidado, foi realizada a “Tenda do Conto”, uma Prática Integrativa e complementar na atenção à saúde mental. Em um cenário construído de objetos carregados de significados, a tenda foi posta, a cadeira disposta, todos atentos para ouvir e contar seu conto de amor, dor ou alegria. Cada pessoa levava seu objeto ou escolhia um que já estava sobre a mesa e iniciava a sua emocionante narrativa em um ambiente seguro e livre de julgamentos.
Entre os objetos presentes estiveram bandeiras, mochilas, chaves de casa, utensílios de cozinha, inclusive um budare – uma chapa metálica utilizada para fazer “arepas”, um prato característico que representa a identidade culinária da Venezuela. O objeto ainda carregava cheiro, cor e textura, que contam a história de resistência e superação de muitas pessoas que foram alimentadas com ele, emocionando todos.
O psicólogo Daikon que faz parte da Coordenação da Pastoral dos Migrantes partilhou que “a potência da prática se dá pela sua perspectiva ético-estético-política e pela lógica da circularidade de afetos, que cria condições para espaços de alteridade. A Tenda do Conto abre espaço para novas experiências no presente, liberando a autoridade do passado”.
Ele apontou, também, que a Tenda do Conto serve como dispositivo político de fortalecimento de vínculos comunitários e mobilização social. O encontro foi permeado de emoções, memórias e profunda solidariedade diante dos terremotos ocorridos em 24 de junho na Venezuela, que causaram sofrimento, apreensão e perdas de tantas famílias e amigos.
A realização da roda de conversa tornou possível dialogar com os principais desafios das pessoas migrantes e pensar propostas para a organização social dos migrantes venezuelanos no Ceará, bem como respostas para a cooperação na reconstrução da Venezuela. Foi uma manhã de muita produção e encaminhamentos pastorais, ressaltando a importância de continuar crescendo em parcerias e fortalecer os nossos dons.















Por Daikon Haromey Pereira Gonzaga, pastoralista da Pastoral dos Migrantes da Arquidiocese de Fortaleza













