No dia 15 de setembro, aconteceu o Encontro Interinstitucional Scalabriniano da América Latina (EISAL), em Jundiaí/SP. O evento reuniu a Irmã Alda Monica Malvessi, Superiora Provincial das Irmãs Scalabrinianas, junto ao conselho da Província Maria, Mãe dos Migrantes; o Padre Alexandre De Nardi Biolchi, Superior do Regional Nossa Senhora dos Migrantes, e seu conselho; e Antonella Favaro, coordenadora das Missionárias Seculares Scalabrinianas, acompanhada de sua equipe.
O EISAL é realizado a cada dois anos com o objetivo de aprofundar temáticas de interesse comum da família scalabriniana e projetar atividades conjuntas.
Nesta edição, a reflexão girou em torno do tema “O papel do leigo nas instituições religiosas”, assessorado pela senhora Geani Moller Cavallaro, diretora executiva da Congregação Santa Cruz. Durante sua fala, ela apontou elementos sobre como a missão comum se fortalece quando religiosos e leigos caminham em corresponsabilidade madura, unindo competência técnica, transparência e fidelidade ao carisma para acolher e proteger os migrantes e refugiados.
A assessora sinalizou que a participação dos leigos amadurece na compreensão da Igreja como Povo de Deus e sujeito comum da missão. Trata-se de uma mudança decisiva e eclesiológica, na qual o leigo, na caminhada dos tempos, passa a ser reconhecido como sujeito ativo da missão em razão do seu batismo. Assim, as vocações distintas entre o leigo e o religioso se complementam na mesma missão do Povo de Deus.
Geani pontuou que os leigos não são apenas colaboradores, mas sim discípulos missionários e corresponsáveis pela missão da Igreja por meio da oferta de seus dons. Ela insistiu na atitude da corresponsabilidade como expressão de comunhão e como estratégia essencial para os processos de sucessão institucional, acentuando que a formação e o discernimento ampliam a participação e a transmissão da identidade e do carisma.
Cada etapa fortalece a missão e prepara as próximas gerações para que o carisma permaneça vivo. Cabe aos religiosos exercer um papel ativo nessa corresponsabilidade, a qual não reduz a vocação religiosa, mas reforça seu testemunho, discernimento, formação e serviço ao carisma. Afinal, o leigo maduro não apenas executa, ele interpreta a missão no presente. A maturidade da relação entre religiosos e leigos aparece na qualidade da confiança: a primeira opção entrega tarefas; a segunda constrói continuidade.
Ao definir a governança a serviço do carisma, a assessora afirmou que ela não é uma camada fria de controle, mas sim a proteção institucional da missão. A governança define quem decide, como decide, com quais critérios e como presta contas. Nas instituições religiosas, ela precisa proteger simultaneamente a sustentabilidade, a legalidade, a transparência e a fidelidade ao carisma. Por isso, a participação leiga exige clareza de papéis, formação e acompanhamento.
Alinhamento, competência, maturidade e prestação de contas sustentam os critérios de uma confiança madura. Essa liberdade nasce da proximidade, da formação, da clareza e da responsabilidade compartilhada. Formar leigos é mais do que treinar funções; trata-se de uma pedagogia institucional do carisma. A missão não se preserva congelando o passado, mas transmitindo sua essência para novas formas de presença. O carisma permanece quando encontra pessoas, estruturas e culturas capazes de traduzi-lo no tempo presente. A missão é comum, mas os papéis são diferentes.
Concluindo sua reflexão, Geani apresentou o processo de liderança de Jesus, focado em tornar o outro capaz de continuar a obra: “O serviço alcança sua maturidade quando a missão já não depende de uma pessoa indispensável. O Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir” (Mc 10,45). Para as instituições religiosas, isso significa transformar autoridade em formação, presença em confiança e legado em corresponsabilidade.
O verdadeiro legado não está apenas no que foi construído, mas naquilo que somos capazes de transmitir, confiar e tornar possível para quem continuará a missão depois de nós. Que o EISAL seja um espaço permanente de comunhão, discernimento e coragem para preparar novas formas de corresponsabilidade scalabriniana.
Após a palestra, os três Institutos partilharam brevemente suas realidades expressivas, apresentando os resultados de atividades, projetos, conquistas, bem como as luzes e sombras da caminhada.













Por Ir. Nelí Basso, do Serviço de Comunicação













