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Deslocamento forçado registra primeira redução em dez anos, mas segue em níveis históricos, aponta ACNUR

117,8 milhões de pessoas estavam em situação de deslocamento forçado no final de 2025, é o que aponta o relatório Tendências Globais, lançado pelo ACNUR (Agência da ONU para os Refugiados) no dia 11 de junho. O relatório reúne as principais tendências estatísticas sobre deslocamento forçado e inclui os dados oficiais mais recentes sobre refugiados, requerentes de asilo, deslocados internos e apátridas.

De acordo com o relatório, o total de pessoas forçadamente deslocadas no mundo em 2025 representa uma redução de 5,4 milhões em relação aos dados de 2024, a primeira queda global em uma década. O documento aponta que, no fim do ano passado, haviam pelo menos 68,7 milhões de deslocados internos (IDPs) em todo o mundo. Apesar da queda, a Agência ressalta que os números continuam em níveis históricos.

Dados sobre refugiados no mundo
Segundo o ACNUR, no fim de 2025 foram registrados 41,6 milhões de refugiados em todo o mundo. Esse número inclui 28,5 milhões de refugiados sob mandato do ACNUR, o que inclui pessoas em situação semelhante à de refugiados, 7,2 milhões com necessidade de proteção internacional, 6 milhões de refugiados palestinos sob mandato da UNRWA, além de 9 milhões de solicitantes de asilo que aguardavam resposta a seus pedidos.

Do total de 35,7 milhões de refugiados sob o mandato do ACNUR, pelo menos 39% são crianças. Segundo o relatório, 26% do total estão em países menos desenvolvidos, que acolheram 9,4 milhões de refugiados, enquanto que 68% dos refugiados estão em países de renda baixa ou média. Além disso, o documento aponta que 65% dos refugiados em todo o planeta são acolhidos por países vizinhos ao de origem.

O ACNUR destaca, ainda, que os seis principais países anfitriões concentravam 36% dos refugiados e pessoas com necessidade de proteção internacional no fim de 2025, sendo eles Irã (2,8 milhões), Uganda (2,7 milhões), Turquia (2,4 milhões), Alemanha (1,9 milhão), Colômbia (1,7 milhão), Chade (1,5 milhão).

Deslocamentos e retornos em 2025
De acordo com o relatório, em 2025, 5,4 milhões de pessoas foram forçadas a cruzar fronteiras, sendo que os principais países de origem foram Sudão, com 952,7 mil do total, Ucrânia, com 788,1 mil, Venezuela, com 455,3 mil, Sudão do Sul, com 232,8 mil, Burkina Faso, com 221,3 mil, Afeganistão, com 191,4 mil, Mali, com 177,2 mil, e Myanmar, com 165,4 mil.

O ACNUR aponta que, no ano passado, 14,7 milhões de pessoas retornaram para seus locais de origem, um dos maiores movimentos de retorno já registrados. Desse total 10,3 milhões eram deslocados internos e 4,4 milhões eram refugiados. Apesar disso, o documento alerta que muitos desses retornos aconteceram em condições adversas, em locais com insegurança, falta de serviços básicos e infraestrutura destruída.

Entre os principais países de retorno de refugiados estão o Afeganistão (1,95 milhão), a Síria (1,34 milhão), o Sudão (651,5 mil), o Sudão do Sul (199,3 mil), e a Ucrânia (139,3 mil). Apesar disso, o relatório sinaliza que 70% dos refugiados vivem em situações de refúgio prolongadas, ou seja, há mais de cinco anos fora de seus países sem perspectivas imediatas de solução duradoura, o que representa 24,9 milhões de pessoas em mais de 1.300 situações.

Reassentamento e Apatridia
Segundo o relatório, o reassentamento de refugiados sofreu forte queda em 2025, com apenas 81,8 mil sendo reassentados ou admitidos por vias de patrocínio, em comparação com 188,8 mil em 2024. Os principais países de reassentamento de refugiados no ano passado foram Austrália, Canadá, França e Estados Unidos.

O documento revela, ainda, um dado preocupante sobre apatridia: atualmente 4,5 milhões de pessoas são apátridas. Atualmente, os Rohingya representam a maior população nessa situação, com 1,8 milhão de pessoas apátridas, o equivalente a 41% do total. Apesar disso, em 2025, 46,1 mil pessoas adquiriram nacionalidade através de naturalização ou reformas legais.

Os dados trazidos pelo Global Trends reforçam a urgência de políticas de acolhida, integração, proteção e construção de soluções duradouras para migrantes, refugiados e deslocados forçados, visto que apesar da leve queda em 2025, o deslocamento forçado continua em níveis historicamente elevados, com crianças sendo desproporcionalmente afetadas.

Leia o relatório na íntegra: https://www.unhcr.org/global-trends

Por Amanda Almeida, do Serviço de Comunicação

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