De acordo com um relatório da Organização Internacional para as Migrações (OIM), o número de deslocados internos no Haiti chegou a quase 1,5 milhão de pessoas. Desde setembro de 2022, quando a OIM começou a monitorar a situação, o número de deslocados aumentou 845%.
O relatório aponta que o Haiti registrou 1.466.862 pessoas deslocadas internamente em maio de 2026, representando um aumento de 1% em relação a dezembro de 2025, quando foi realizada a Rodada 12 do levantamento. Os dados desse relatório foram coletados entre 14 de março e 17 de maio.
Apesar de o crescimento nacional ter sido relativamente pequeno, muitas regiões registraram aumentos significativos. O documento aponta que a área metropolitana de Port-au-Prince registrou aumento de 6% no número de deslocados, ultrapassando pela primeira vez a marca de 300 mil pessoas, principalmente devido aos confrontos armados em Cité Soleil.
Além disso, o departamento de Artibonite teve crescimento de 5%, impulsionado por ataques recorrentes de grupos armados. Houve também novos deslocamentos em diversas regiões, totalizando 94.945 pessoas recém-deslocadas durante o período analisado.
Distribuição geográfica
O relatório da OIM aponta que a maioria dos deslocados encontra-se fora da capital, sendo que 79% vivem nas províncias e 21% permanecem na região metropolitana de Port-au-Prince.
Os departamentos que concentram o maior número de deslocados são Grande Sul, com 39%, seguido por Oeste, com 30%, Artibonite, com 11%, Centro, com 10%, e Grande Norte, com 10%.
Condições de acolhida
De acordo com o documento, a maior parte dos deslocados está vivendo em comunidades anfitriãs, com 84% estando acolhidos por familiares ou outras famílias e 16% vivendo em abrigos coletivos para deslocados. Segundo a OIM, no período analisado, foram identificados 262 locais espontâneos de acolhida, 33 locais a mais do que o registrado na rodada anterior.
Aumento dos retornos
Um dos dados mais relevantes do relatório é o aumento expressivo de pessoas que retornaram às suas áreas de origem. De acordo com a OIM, 165.937 pessoas retornaram para suas comunidades, um crescimento de 89% em comparação com dezembro de 2025.
Os retornos foram particularmente significativos na região Oeste fora da área metropolitana da capital, onde foi observado um aumento de 1.366%, no departamento do Centro, com aumento de 125%, e na própria capital, onde foi observado um crescimento de 41% no número de retornos.
Apesar disso, a OIM alerta que ainda é prematuro considerar esses retornos como sustentáveis, pois muitas famílias continuam enfrentando desafios relacionados à segurança, moradia e acesso a serviços básicos.
Entre as 1.075 localidades que acolhem deslocados e retornados identificadas no relatório, as necessidades mais citadas foram alimentação (73%), meios de subsistência e geração de renda (65%), abrigo (38%), água, saneamento e higiene (38%) e saúde (37%). O relatório ressalta que essa ordem de prioridades permanece praticamente inalterada há várias rodadas de monitoramento.
Acesse o relatório na íntegra: https://dtm.iom.int/reports/haiti-information-sheet-displacement-situation-round-13-may-2026?close=true
Por Amanda Almeida, do Serviço de Comunicação













