Pesquisar

OIM: quase 8 mil migrantes morreram em rotas migratórias em 2025

De acordo com dados do Relatório Global Anual do Projeto Migrantes Desaparecidos da Organização Internacional para as Migrações (OIM), quase 8 mil migrantes morreram ou desapareceram em rotas migratórias de todo o mundo em 2025. Desde 2014, quase 83 mil migrantes morreram ou desapareceram. O relatório foi divulgado pela OIM na terça-feira, 21.

O relatório da OIM estima que cerca de 340 mil familiares tenham sido diretamente afetados pelas mortes e desaparecimentos registrados desde 2014. A Organização destaca que os números representam uma estimativa baixa do número real de pessoas afetadas, mas que, ainda assim, os dados ressaltam a necessidade de ações urgentes para acabar com as mortes de migrantes e atender às complexas necessidades das famílias.

Segundo os dados apresentados, 7.904 pessoas morreram em rotas migratórias em 2025, enquanto que outras 1.500 potencialmente desapareceram e estão presumivelmente mortas, envolvidas principalmente nos “naufrágios invisíveis”, em que embarcações inteiras são dadas como desaparecidas, mas nunca são encontradas informações sobre resgate ou interceptação no mar.

No total, o relatório da OIM aponta que cerca de 4.100 mortes foram registradas durante o ano passado em rotas de todo o planeta, além de cerca de 3.800 desaparecimentos. Entre as pessoas identificadas, em torno de 3.400 eram homens, 683 mulheres e 368 crianças.

A OIM destaca que, embora o número de mortes em rotas migratórias registradas em 2025 represente uma diminuição em relação às 9.197 registradas em 2024, o maior total anual já registrado pelo projeto Migrantes Desaparecidos, ele ainda marca um “total sombrio” de mais de 80.000 vidas perdidas desde 2014, quando o Projeto foi criado.

“A diminuição está ligada em parte a um declínio real no número de pessoas que tentam rotas migratórias irregulares perigosas, particularmente nas Américas, mas também se deve à restrição e à falta de financiamento para os atores humanitários que documentam as mortes de migrantes em rotas importantes”, afirma o relatório.

Principais regiões com mortes e desaparecimentos de migrantes em 2025
O relatório do projeto Migrantes Desaparecidos destaca que as 3.400 mortes e desaparecimentos registrados nas rotas marítimas da Europa representaram 43% do total mundial em 2025, com a maioria (1.330) sendo registradas apenas no Mediterrâneo Central, seguida de perto pela rota da África Ocidental/Atlântico para as Ilhas Canárias, onde o projeto registrou 1.176 mortes ou desaparecimentos.

Apesar de uma diminuição em comparação com as mais de 3.800 mortes de migrantes registradas na região em 2024, as rotas marítimas na Europa foram marcadas por um alto número de naufrágios não verificáveis, com pelo menos 1.500 pessoas dadas como desaparecidas no mar, cujas mortes não puderam ser verificadas devido à falta de informação.

O relatório destaca que o alto número de casos não verificados e o aumento da “letalidade” das travessias podem ser associados tanto ao ressurgimento da rota do leste da Líbia para a Grécia, que registrou quase 20 mil chegadas às ilhas de Creta em 2025, quanto aos elevados números de mortes nas rotas para a Espanha, com cerca de 1.200 registros na rota das Ilhas Canárias e outras quase 500 na travessia do Mediterrâneo Ocidental em 2025.

De acordo com a OIM, pelo menos 3.314 migrantes morreram em rotas no continente asiático em 2025, um aumento em relação às 2.793 registradas em 2024, que já havia sido um ano com número recorde. A organização destaca que as mortes registradas na Ásia aumentaram significativa após 2021, com números que superam 2.000 óbitos documentados nas rotas migratórias anualmente desde então.

Maio número de mortes de afegãos
O relatório aponta que 2025 concentrou o maior número de mortes de afegãos em trânsito no Irã desde 2014, com pelo menos 1.323 registros, em comparação com 1.265 em 2024. A organização sublinha que o aumento nas mortes de afegãos em trânsito para o Irã e através dele tem aumentado desde 2021, quando a tomada do poder pelo Talibã causou uma emigração em massa do país.

Segundo a OIM, mortes de afegãos em rotas além do Irã também foram documentadas em 2025, com 67 vidas perdidas na fronteira entre Irã e Turquia, 32 na travessia do Mediterrâneo Oriental e 9 na rota dos Balcãs Ocidentais. “Embora os dados sobre essa população vulnerável sejam bastante incompletos, essa tendência destaca os crescentes riscos que os afegãos enfrentam ao buscar refúgio no exterior”, afirma o relatório.

Mortes de migrantes rohingya na Baía de Andaman
De acordo com o relatório, em 2025 foram registradas 900 mortes durante as travessias marítimas da Baía de Bengala e do Mar de Andaman em 2025, tornando-o o ano mais letal já registrado para essa rota. Essa travessia é usada quase exclusivamente por refugiados rohingya, que fogem do conflito e da perseguição em Mianmar, e registrou quatro grandes naufrágios, nos quais acredita-se que quase 800 pessoas perderam a vida no mar.

Mortes na Rota Oriental de e para a África Oriental
Na Rota Oriental, um fluxo bidirecional entre a África Oriental e a Península Arábica, o ano de 2025 também foi o mais letal já registrado, com mais de 900 mortes, principalmente de cidadãos etíopes (700). Nos últimos quatro anos, cerca de 3.000 vidas foram perdidas nessa rota.

A OIM destaca que o trecho mais letal dessa rota em 2025 foi a travessia marítima para o Iêmen, onde foram registradas 720 mortes, além de outras 150 mortes documentadas devido à exposição ao frio e à falta de acesso a tratamento médico nas remotas fronteiras terrestres e desertos do Chifre da África. Outras 40 mortes foram registradas na fronteira norte entre o Iêmen e a Arábia Saudita, quase todas devido à violência e com a estimativa de que muitas mortes não foram registradas devido à restrição de acesso humanitário à região desde 2023.

Segundo o relatório, apesar de dados incompletos sobre rotas migratórias dentro da África, 717 mortes foram registradas em rotas terrestres no continente em 2025, incluindo 485 durante a travessia do Deserto do Saara. A organização estima que o número de mortes seja muito maior devido a um número limitado de pesquisas feitas com pessoas em movimento.

Mortes registradas durante a migração nas Américas
O relatório destaca que as mortes registradas durante a migração nas Américas diminuíram de forma drástica em 2025, passando de 1.272 em 2024 para 408 em 2025. “Essa diminuição deve-se, em grande parte, a um declínio real nos deslocamentos por rotas irregulares e de alto risco, mas também a atrasos na notificação de dados”, afirma o documento, que sublinha que este último fator é “particularmente verdadeiro” para a fronteira entre EUA e México, conde os dados de fim de ano sobre mortes de migrantes não foram relatados por nenhum dos países.

A OIM destaca que, no entanto, as travessias irregulares da fronteira entre EUA e México parecem ter diminuído, a partir de dados do Serviço de Alfândega e Proteção de Fronteiras dos Estados Unidos que relatam uma redução de quase 90% nas interceptações na fronteira, que totalizaram 179.800 em 2025 em comparação com mais de 1,6 milhão em 2024.

O documento aponta, ainda, que os registros de morte no Caribe também diminuíram, com 130 registros em 2025, em comparação com 302 em 2024, sendo que apenas 5 mortes foram registradas na rota das ilhas do Caribe para os EUA, em comparação com 187 em 2024.

Além disso, na travessia de Darién, apenas 10 mortes foram registradas em 2025 em comparação com 174 em 2024, embora a OIM destaque que documentar mortes nessa rota sempre tenha sido muito difícil devido à falta de acesso à rota. Somado a isso, as autoridades do Panamá relataram uma queda nos registros de chegadas através do Darién, com 3.032 registros em 2025, contra mais de 300.000 em 2024.

Dados de 2026
Até o momento, o ano de 2026 já registra 1.723 mortes ou desaparecimentos de migrantes em rotas migratórias por todo o mundo. A maioria dos registros aconteceu no Mediterrâneo, que acumula 1.051 fatalidades envolvendo migrantes, sendo 782 apenas no Mediterrâneo Central.

Em seguida, figuram os registros de mortes e desaparecimentos de migrantes na Ásia, com 348 (incluindo dados da Ásia Ocidental), e os dados da África, com 267 mortes e desaparecimentos de migrantes documentados, a maioria (129) na rota até as Ilhas Canárias. Outras 40 mortes e desaparecimentos de migrantes foram registrados nas rotas das Américas, além de 17 nas rotas da Europa.

Por Amanda Almeida, do Serviço de Comunicação

Compartilhe esta informação. É muito importante.

As pessoas também estão lendo:

AGENDA DE PUBLICAÇÕES
abril 2026
S T Q Q S S D
 12345
6789101112
13141516171819
20212223242526
27282930  

Irmãs Scalabrinianas

Estão presentes em muitos países do mundo.
Para melhor exercer sua missão, a Congregação divide-se em províncias/regiões de missão.
 
Nestes espaços, as irmãs se dedicam à missão que aceitaram realizar, comprometendo-se com a vida, especialmente dos que mais sofrem, dos migrantes, dos refugiados.
 
São mulheres que escolheram seguir o chamado de Deus, confiando-lhes uma linda e importante missão na igreja.

Siga-nos

Mais recentes no site

Conheça o trabalho das Irmãs Scalabrinianas com migrantes e refugiados