Entre os dias 18 e 21 de abril o Papa Leão XIV visitou Angola, na terceira etapa de sua viagem apostólica pelo continente africano, iniciada no dia 13 de abril. A viagem será encerrada no dia 23 de abril em Malabo, na Guiné Equatorial.
Durante o encontro com as autoridades, a sociedade civil e o corpo diplomático no Palácio Presidencial em Luanda, o Papa Leão XIV iniciou seu discurso destacando sua presença em Angola “como um peregrino que procura os sinais da passagem de Deus por esta terra que Ele ama.”
“Desejo encontrar-vos na gratuidade da paz e constatar que o vosso povo possui tesouros que não se vendem nem se roubam. Em particular, possui em si uma alegria que nem mesmo as circunstâncias mais adversas conseguiram extinguir. Essa alegria, que também conhece a dor, a indignação, as desilusões e as derrotas, resiste e regenera-se entre aqueles que mantiveram o coração e a mente livres do engano da riqueza.”, destacou o Papa na ocasião.
Em seu discurso, ele exortou as autoridades de Angola a acreditarem na multiformidade da sua riqueza, sem temer as divergências, nem extinguir as visões dos jovens e os sonhos dos idosos, sabendo gerir conflitos transformando-os em caminhos de renovação. “Colocai o bem comum acima do das partes, não confundindo nunca a vossa parte com o todo. Então, a história lhes dará razão, mesmo que, no imediato, alguns vos sejam hostis”, pediu o Papa.
Santa Missa em Luanda
No dia 19 de abril, segundo dia da visita, cerca de 600 mil pessoas se reuniram em Luanda para a celebração da Santa Missa, entre eles Irmãs Scalabrinianas e cerca de 450 animadores da Pastoral das Migrações.
Durante a homilia, o Papa Leão XIV fez um comparativo entre o Evangelho dos discípulos de Emaús e o caminho do povo angolano após uma longa guerra civil. “Quando, durante muito tempo, se permanece imerso numa história tão marcada pela dor, corre-se o mesmo risco dos dois discípulos de Emaús: perder a esperança e ficar paralisados pelo desânimo”, afirmou o Papa.
“Eis aqui traçada também para nós, para vós, queridos irmãos e irmãs angolanos, a via para recomeçar: por um lado, a certeza de que o Senhor nos acompanha e tem compaixão de nós; por outro, o compromisso que Ele nos pede”, destacou. Ele sublinhou, ainda, que os diversos desafios enfrentados pela população angolana exigem uma Igreja próxima e que saiba reavivar a esperança perdida.
Leão XIV destacou, ainda, que Angola precisa de uma Igreja com membros que tenham no coração “o desejo de partir a sua vida e doá-la uns aos outros, de se empenhar no amor e no perdão mútuos, de construir espaços de fraternidade e paz, de realizar gestos de compaixão e solidariedade para com quem mais precisa.”
Encontro com os bispos, sacerdotes, consagrados, consagradas e agentes pastorais
No dia 20 de abril o Papa Leão XIV se encontrou com os bispos, sacerdotes, consagrados, consagradas e agentes pastorais de Angola na Paróquia de Nossa Senhora de Fátima, em Luanda.
Em seu discurso, ele expressou sua alegria pelo encontro e a gratidão a todos os que serviram e servem o Evangelho em Angola, destacando o trabalho na evangelização e na caridade para com os mais pobres. “Obrigado por continuardes com perseverança a construir o progresso desta nação sobre os sólidos alicerces da reconciliação e da paz”, disse.
Ele exortou os jovens presentes nos seminários e casas de formação a não terem medo de dar o seu “sim” a Cristo. “Não tenhais medo do amanhã: pertenceis totalmente ao Senhor. E vale a pena segui-l’O na obediência, na pobreza e na castidade! Ele não tira nada!”, ressaltou o Pontífice.
Durante o discurso, ele destacou que a fidelidade dos agentes pastorais em Angola está vinculada ao anúncio da paz, sublinhando a coragem, em outros tempos, de denunciar o flagelo da guerra e dar suporte à população flagelada e em apontar caminhos e soluções pra o fim do conflito armado.
“O vosso contributo é comumente reconhecido e apreciado. Mas este trabalho não acabou! Promovei, pois, uma memória reconciliada, educando todos para a concórdia e prezando, no meio de vós, o testemunho sereno daqueles irmãos e irmãs, que depois de passarem tormentos dolorosos, tudo perdoaram”, afirmou o Papa.
Visita à Guiné Equatorial
Após a visita a Angola, o Papa Leão XIV seguiu para a Guiné Equatorial, na quarta e última etapa da viagem apostólica, onde já se encontrou com autoridades, sociedade civil, universitários, jovens e famílias. Ele também realizou visitas a um hospital psiquiátrico e à Prisão de Bata.
A viagem apostólica do Papa Leão XIV ao continente africano será encerrada na quinta-feira, 23, após percorrer a Argélia, Camarões, Angola e Guiné Equatorial, encontrando-se com as populações e a Igreja presente nesses países.
Por Amanda Almeida, do Serviço de Comunicação














