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Papa Leão XIV visita Lampedusa e renova apelo por acolhida, compaixão e dignidade para os migrantes

Neste sábado, 4 de julho, o Papa Leão XIV realizou uma visita pastoral à ilha de Lampedusa, retomando o forte significado simbólico da viagem à ilha realizada pelo Papa Francisco em 8 de julho de 2013. Em uma visita breve, mas marcada pela oração, memória e proximidade com os migrantes, o Pontífice reafirmou o compromisso da Igreja com a defesa da vida humana, da dignidade dos povos em mobilidade e da cultura do acolhimento.

A visita começou com uma parada no Cemitério de Lampedusa, onde o Papa depositou flores sobre os túmulos dos migrantes mortos durante a travessia do Mar Mediterrâneo. De acordo com o projeto Migrantes Desaparecidos, da Organização Internacional para as Migrações, mais de 35 mil migrantes morreram ou desapareceram na região do Mediterrâneo desde 2014, sendo 26.724 apenas no Mediterrâneo Central.

Em seguida, Leão XIV dirigiu-se ao monumento Porta d’Europa, monumento criado pelo artista Mimmo Paladino, em 2008, em memória às milhares de pessoas que perderam a vida cruzando o Mar Mediterrâneo. No local, o Papa encontrou uma família de migrantes que o conduziu até esse que é um símbolo de esperança em Lampedusa.

Outro momento significativo ocorreu no Cais Favaloro, onde o Papa abençoou a placa que dedica o local ao Papa Francisco, reconhecendo o legado deixado pelo seu predecessor na defesa dos migrantes e refugiados. No local, ele encontrou outro grupo de migrantes, acompanhados pela Cruz Vermelha.

Uma homilia marcada pela compaixão e pelo compromisso com os migrantes
Na Santa Missa celebrada em Lampedusa, o Papa desenvolveu sua homilia a partir da parábola do Bom Samaritano, relacionando-a à realidade vivida diariamente na ilha, uma das principais portas de entrada de migrantes na Europa.

Logo no início, recordou que toda iniciativa de amor nasce de Deus e destacou a importância da visita como continuidade do caminho iniciado por Francisco. “Deus ama-nos sempre primeiro. A beleza do mar, desta ilha e dos vossos rostos é um reflexo da sua iniciativa gratuita: o amor precede-nos, envolve-nos e congrega-nos. Estou grato ao Senhor por poder visitar-vos, seguindo os passos do Papa Francisco”, disse.

Referindo-se ao sofrimento de milhares de pessoas que atravessam o Mediterrâneo, Leão XIV afirmou que Lampedusa se tornou um lugar onde o Evangelho é vivido concretamente por meio da proximidade com os mais vulneráveis. “Aqui vistes não apenas um, mas milhares de seres humanos que caíram nas mãos de salteadores… Os outros — aqueles que não conseguiram chegar onde desejavam — acolheu-os o mar.”

O Papa agradeceu, ainda, aos moradores da ilha, voluntários, profissionais, agentes públicos, religiosos e organizações que diariamente acolhem pessoas em situação de vulnerabilidade. “Vim agradecer-vos, irmãos e irmãs de Lampedusa, a proximidade que muitos de vós decidistes exercer. O milagre da compaixão voltou a acontecer”, afirmou.

Durante a homilia, Leão XIV alertou para os perigos da indiferença diante do sofrimento humano. Ele sublinhou que muitas mortes no Mediterrâneo são consequência tanto das decisões tomadas quanto da ausência delas.

O Papa denunciou, ainda, fatores que alimentam o drama migratório, como a pobreza, a exclusão, os conflitos, a corrupção, o medo e a exploração das pessoas em mobilidade. Inspirando-se novamente na parábola do Bom Samaritano, recordou que a verdadeira fé conduz necessariamente ao cuidado com o próximo. “Não há amor a Deus sem amor ao próximo, e não há próximo se eu não me aproximar”, afirmou.

Leão XIV ressaltou, ainda, que somente a compaixão é capaz de transformar a sociedade e abrir caminhos para aquilo que chamou de “civilização do amor”.

Ao final da homilia, Leão XIV dirigiu um forte apelo às instituições europeias para que enfrentem o fenômeno migratório de forma estrutural e baseada na dignidade humana. O Papa afirmou que a Europa possui “uma responsabilidade única” diante da crise migratória e defendeu políticas capazes de acolher, proteger, promover e integrar os migrantes, ao mesmo tempo em que favoreçam o desenvolvimento dos países de origem para que ninguém seja obrigado a deixar sua terra.

Também chamou atenção para o contraste entre o turismo e o sofrimento vivido no Mediterrâneo, convidando todos a não construírem “um muro invisível entre o mar dos náufragos e o dos turistas”.

Encerrando a celebração, Leão XIV confiou os habitantes de Lampedusa e Linosa à proteção de Nossa Senhora de Porto Salvo e exortou a comunidade local a continuar sendo sinal de esperança. “Não nos deixemos dominar pelo medo, mas encaremos as dificuldades do dia a dia como oportunidades e um tempo de testemunho”, disse.

Por Amanda Almeida, do Serviço de Comunicação

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