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Perfil do Venerável Pe. José Marchetti

Celebrando os 130 anos de sua morte: 1896-2026

O Venerável Padre José Marchetti nasceu em 03 de outubro de 1869, em Lombrici di Camaiore, Lucca, Itália. Foi ordenado sacerdote em 02 abril 1892 e, em 1894 já fez a primeira viagem, como capelão de bordo, nos navios que levavam emigrantes italianos para o Brasil.

Antes de prosseguirmos, é bom recordar que, no final do século XIX, o drama da migração italiana para as Américas comovia profundamente a Igreja. Movido por esse sofrimento humano e por inspiração divina bispo de Piacenza, Dom João Batista Scalabrini fundou a Congregação dos Missionários e mais tarde das Missionárias de São Carlos Borromeo para acompanhar e cuidar do povo que emigrava.

Padre José Marchetti, que muito desejava ser missionário, ouviu este bispo falar, em abril de 1892, logo após sua ordenação sacerdotal. As muitas dificuldades sofridas pelos emigrantes causaram-lhe um aperto no coração. Pouco, mais tarde, como sacerdote, foi conversar com Dom Scalabrini, colocando-se totalmente à disposição para acompanhar os que partiam em busca de pão nas Américas. Preparou a documentação e, em 15 outubro de 1894, fez sua primeira viagem, como capelão de bordo no navio Giulio Cesare, que partia de Gênova para o Brasil. Eram mais de 1.000 compatriotas, povo sofrido, impelido pela fome e miséria, fruto do pós-guerra mundial, e início da era industrial.

Chegados ao Brasil, uma parte dos emigrantes ficaram no RJ, na Ilha das Flores, e os demais no porto de Santos, em SP. Logo após, fez retorno à Itália e preparou a segunda viagem que aconteceu, em 26 de dezembro do mesmo ano.

Durante a segunda viagem, testemunhou, mais uma vez a dor, a fome e a vulnerabilidade dos emigrantes, experiências que marcaram definitivamente sua alma de jovem sacerdote. A população do transatlântico Maranhão, era de aproximadamente 1.500 pessoas. Nas naves insalubres, da época, a epidemia fazia muitas vítimas. Nesta segunda viagem, uma jovem mãe que trazia no colo um filho pequeno, veio a falecer. Após as dolorosas cerimonias fúnebres, feitas no convés do navio, os corpos eram sepultados nas águas do oceano.

O pai da criança, também, queria jogar-se ao mar com o filho. O padre, agarrou-os e garantiu ao pai: “Chegando ao Brasil, vou encontrar um lar para o menino”. Naquele triste episódio, Deus plantou no seu coração, o gérmen da vocação missionária em favor dos órfãos. Sentia forte a voz: Precisa construir um a casa para estas pobres crianças.

Chegando em São Paulo, deparou-se com outras crianças órfãs, e também com meninos de rua, filhos dos ex-escravos africanos e, mais uma vez sentiu a urgência da obra de caridade para abrigar estes inocentes.

Procurou almas generosas que o ajudassem a fazer esta grandiosa obra de bem. Ele confiava muito na Providência divina e esta logo se manifestou, através do Conde Vicente de Azevedo, bem como de tantos outros, colonos, comerciantes, autoridades.

Já em inícios de fevereiro de 1895 deu início, no Ipiranga, a construção do orfanato. Por isto permaneceu no Brasil por 10 meses. Feito isso, no mês de outubro voltou para a Itália, foi encontrar o bispo fundador para relatar a situação das obras e missões no Brasil. Falou-lhes, também, da necessidade de ter irmãs religiosas para cuidar dos órfãos. Depois foi a Camaiore, na casa da mãe que era viúva, convidou-a, bem como sua irmã Assunta para serem missionárias, com ele, no Brasil. Fez o convite a outras duas jovens para o seguirem nesta bela missão.

Tendo as primeiras quatro jovens, futuras irmãs religiosas, leva-as ao Bispo de Piacenza, hoje conhecido como São João Batista Scalabrini, Pai dos Migrantes, para que, junto com ele, fizessem a profissão dos votos religiosos nas mãos do Fundador. Era dia 25 de outubro de 1895.

No dia seguinte, os valorosos missionários partem para o porto de Gênova, prontos para a travessia, como “migrantes entre os migrantes,” junto aos mais de mil passageiros do navio, Fortunata Raggio. Após, quase um mês de viagem, em 20 de novembro já estão em São Paulo e no dia 08 de dezembro, o fundador do primeiro orfanato de São Paulo, abençoou esta obra, chamando-a, Orfanato Cristóvão Colombo, e a entregou aos primeiros 80 órfãos, sob os cuidados maternos de Madre Assunta, sua irmã e às demais irmãs da Congregação.

Ele era o provedor dos orfanatos. Mas ainda, percorria as mais de 200 colônias de imigrantes italianos espalhadas no estado de S. Paulo. Em pouco menos de 2 anos equipou o orfanato do Ipiranga com escolas profissionais; procurou doadores para o terreno na Vila Prudente, onde deu início à construção do segundo orfanato, destinado às meninas órfãs. E, como se não bastasse, sob sua presidência, foi concluído e inaugurado Hospital italiano, Umberto I.

A epidemia de tifo e febre amarela rondava as colônias e marcou dramaticamente aquela época. O medo espalhava-se pelas ruas; a fragilidade humana tornava-se evidente. E foi, exatamente nesse cenário que, brilhou a coragem evangélica de um sacerdote que escolheu permanecer por amor, vítima do próximo, como dizia o voto que ele mesmo fez, movido pela caridade. Ficou no campo apostólico, enquanto muitos recuavam diante do risco do contágio. O missionário italiano avançava, movido pela caridade pastoral. Era capaz de ver, como disse muito mais tarde, o Papa Francisco, a “carne sofrida de Cristo” no corpo sofredor de cada pequeno abandonado.

No final de dezembro de 1896 a epidemia do tifo, e da febre amarela fazia muitas vítimas. Padre José estava em missão nos arredores da cidade de Jaú e, ali contraiu o tifo, recolhendo, dos braços de uma mãe morta pelo tifo, uma criança órfã que levou até o Orfanato. O atendimento médico fez o possível para cura-lo. Tudo inútil. Tinha cumprido sua missão! Padre José Marchetti consumiu a sua oferta silenciosa, entregou-se a Deus, com seu eterno Deo Gratias, como verdadeiro “Pai dos órfãos” e Mártir da caridade. Era o dia 14 de dezembro de 1896. Podemos afirmar, que ele não morreu apenas da febre tifoide: morreu de amor! Amor aos órfãos, aos migrantes, aos pobres, aos mais vulneráveis.

“Entre as vozes leigas que reconheceram a grandeza do Padre José Marchetti, permitam-me destacar, a do escritor e jornalista Eduardo Prado que foi uma das figuras mais respeitadas do final do século XIX entre a aristocracia paulistana. Ele deixou um testemunho comovente, no Jornal Comércio de São Paulo. Disse: “Vi pela primeira vez o jovem padre, tocando piano (Schumann). Sua figura era de uma doçura contagiante, de sensibilidade e de extraordinária caridade, especialmente no cuidado das crianças órfãs e dos imigrantes, sua imagem ficou impressa em minha memória. O jornalista Prado, conclui com palavras que ainda hoje ecoam, como um apelo à memória e à gratidão: “São Paulo deve muita gratidão ao Padre Marchetti. Mesmo morto, continuará, o padre a fazer o bem” (Jornal do comércio, 16/12/1896).

O bispo fundador, Dom João Batista Scalabrini, escreveu no dia de sua morte: “Morreu um santo!” É verdade! As Congregações dos Padres e das Irmãs de São Carlos Borromeo, scalabrinianos/as, também, o consideram um santo, por isto deram início ao processo canônico para reconhecer sua santidade, em 1996.

Após alguns anos, o Papa Francisco, reconhecendo nele uma vida de virtudes heroicas, declarou-o Venerável, em 8 de julho de 2016. Agora nos resta interceder graças e milagres por sua intercessão, para que possamos, obter de Deus, o dom de sua beatificação e canonização.

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