Um novo relatório da Organização Internacional para as Migrações (OIM) divulgado nesta terça-feira, 5, durante a semana do Fórum Internacional de Revisão das Migrações, em Nova Iorque, aponta que o número de migrantes internacionais registrados globalmente cresceu cerca de 10% entre 2020 e 2024.
De acordo com o documento, em 2024, existiam pelo menos 304 milhões de migrantes em todo o mundo, o que representa cerca 3,7% da população global. O número é 10,5% maior que os 275 milhões de migrantes internacionaisi registrados em 2020. Segundo a OIM, 52% dos migrantes são homens, o equivalente a aproximadamente 158 mil pessoas, enquanto que 48% são mulheres, o equivalente a 146 milhões de pessoas.
O relatório aponta que os fluxos financeiros provenientes de migrantes continuam sendo uma importante fonte de apoio para os países de origem. De acordo com os dados da OIM, estima-se que em 2024 as remessas tenham alcançados o valor de US$ 905 bilhões, entre eles US$ 685 bilhões destinados a países de baixa e média renda. O documento aponta, ainda, que, em 2024, Índia, México e Filipinas foram o primeiro, segundo e terceiro maiores receptores de remessas do mundo, com o total de remessas entrantes ultrapassando US$ 245 bilhões.
Aumento do número de migrantes em todas as regiões do mundo
Segundo os dados, a Europa acolheu cerca de 94 milhões de migrantes internacionais em 2024, enquanto que a Ásia acolheu cerca de 92 milhões, o que corresponde a 61% do total mundial de migrantes internacionais. Em seguida, figuram a América do Norte, com mais de 61 milhões de migrantes internacionais registrados em 2024, cerca de 20% do total mundial, África, com 10%, América Latina e Caribe, com 6%, e Oceania, com 3%.
A OIM aponta que, em comparação com o tamanho da população de cada região, a proporção de migrantes internacionais em 2024 foi maior na Oceania (representando 22% da população total), América do Norte (16%) e Europa (13%). Na Ásia e na África, a proporção de migrantes internacionais ficou em cerca de 1,9% em ambas, enquanto que na América Latina e Caribe os números foram de 2,6%.
Apesar disso, a Ásia apresentou o crescimento mais notável na migração entre 2005 e 2024, com cerca de 79%, o equivalente a 41 milhões de pessoas, seguida pela Europa, que registrou um aumento de 27 milhões de migrantes internacionais. Em seguida figuram a América do Norte, com 16 milhões, e a África, com 14 milhões.
Número recorde de deslocamentos internos
Apesar do aumento na migração internacional, a OIM destaca no relatório que a maior parte dos deslocamentos ocorre dentro dos países, e não através de fronteiras, sendo cada vez mais moldada por uma combinação de conflitos, eventos climáticos e vulnerabilidades estruturais.
O documento aponta que, até o final de 2024, mais de 83 milhões de pessoas viviam em deslocamento interno no mundo, o que corresponde a um aumento de 10 milhões em relação ao relatório anterior (World Migration Report 2024). De acordo com a OIM, esse é o maior número já registrado e representa mais que o dobro do registrado há cerca de uma década.
Os dados mostram que a maioria dessas pessoas foi deslocada por conflitos e violência (73,5 milhões), enquanto 9,8 milhões foram afetadas por desastres, ambos números recordes, que refletem o agravamento de conflitos, o impacto das mudanças climáticas e a falta de apoio adequado para soluções duradouras.
Segundo o relatório, o país com maior número de deslocados internos é o Sudão, com 11,6 milhões, número impulsionado pelos conflitos que se intensificaram desde 2023. Em seguida figuram a Síria, com mais de 7 milhões, a Colômbia, também com 7 milhões, e a República Democrática do Congo (RDC), com 6,2 milhões. Proporcionalmente à população, a Síria lidera com 31% de sua população deslocada internamente, seguida por Sudão (23%) e Somália e Líbano (17% cada).
Acesse o World Migration Report 2026 (em inglês): https://worldmigrationreport.iom.int/msite/wmr-2026-interactive/
Por Amanda Almeida, do Serviço de Comunicação, com informações da OIM.








