O ano de 2025 será lembrado nos livros de história como o ponto de inflexão na mobilidade humana global. Com o fechamento do balanço anual, os dados revelam uma realidade complexa: enquanto as maiores economias do mundo ergueram barreiras sem precedentes, a natureza e os conflitos forçaram mais pessoas a deixarem suas casas do que em qualquer outro momento do século XXI.
O recorde do deslocamento forçado
De acordo com dados consolidados, o mundo encerrou 2025 com a marca histórica de 123,2 milhões de pessoas deslocadas à força segundo Global Trends 2025 (ACNUR). O Sudão consolidou-se como o epicentro da maior crise humanitária da atualidade, superando as crises da Ucrânia e da Síria em volume de refugiados internos e externos.
Especialistas alertam que o “motor” das migrações mudou. “Não falamos mais apenas de guerras”, explica o relatório anual da OIM/ONU. “Em 2025, o clima tornou-se o principal fator de expulsão, com secas prolongadas no Chifre da África e inundações catastróficas na Ásia forçando migrações em massa que os sistemas de asilo atuais não estão preparados para gerir.”
A “fortaleza” ocidental
No campo político, 2025 foi marcado pelo endurecimento. Nos Estados Unidos, a nova administração implementou políticas de fiscalização rigorosa, resultando em uma queda drástica de 85% nas travessias irregulares na fronteira com o México logo no início do ano. O foco mudou para a “migração de talentos”, privilegiando profissionais qualificados e investidores, em detrimento do asilo humanitário.
Na Europa, o cenário foi semelhante. O pacto migratório da União Europeia focou na externalização das fronteiras, pagando a países terceiros para conter o fluxo antes que ele chegue ao Mediterrâneo.
Brasil: um refúgio e novos caminhos internos
Enquanto o Hemisfério Norte se fechava, o Brasil manteve sua tradição de acolhimento, embora tenha enfrentado seus próprios desafios. A integração de migrantes venezuelanos foi citada pelo Banco Mundial como um exemplo de sucesso, injetando bilhões de dólares na economia regional.
Contudo, a grande surpresa de 2025 ocorreu dentro das fronteiras brasileiras. Pela primeira vez na história recente, o estado de São Paulo registrou um saldo migratório negativo. A busca por qualidade de vida e o custo de moradia impulsionaram um êxodo para o interior e para estados como Santa Catarina e Goiás, redesenhando a demografia do país. Sem dúvidas, estamos vendo o fim da era das grandes metrópoles como únicos destinos de esperança.
O que esperar de 2026?
O desafio para este novo ano é a criação de um “Estatuto do Refugiado Climático”, uma discussão que ganhou força na última COP e que deve dominar a agenda da diplomacia internacional nos próximos meses.
Por Wellington Barros, do Serviço de Comunicação

















