A vida religiosa consagrada encontra-se hoje em um verdadeiro estado de êxodo. Se outrora as congregações gozavam de prestígio social e abundância numérica, o cenário atual é marcado por um tempo de purificação. O Papa Francisco recordou com frequência que não vivemos apenas uma época de mudanças, mas uma verdadeira mudança de época. Para as pessoas consagradas, isso implica a passagem de uma vida centrada na manutenção de estruturas para uma existência enraizada na profecia do essencial.
O Desafio da Identidade: Do Fazer ao Ser
Um dos maiores desafios contemporâneos é a superação do funcionalismo. Em uma sociedade que mede o valor das pessoas por sua produtividade, muitos religiosos e religiosas acabaram sendo reduzidos a eficientes gestores de obras sociais, escolas e hospitais.
O desafio é a ressignificação do carisma. A missão não pode ser compreendida como mera tarefa profissional. A pessoa consagrada é, antes de tudo, memória viva do modo de existir de Jesus no mundo de hoje. Quando o ativismo sufoca a mística, a vida consagrada perde o seu sabor evangélico e transforma-se em simples prestação de serviços, esvaziando-se de sua força profética e atrativa.
A Vida Comunitária como Contraponto ao Individualismo
A vida comunitária é, ao mesmo tempo, um grande desafio e uma das maiores belezas da vida consagrada. Vivemos na cultura do “eu”, na qual a autonomia pessoal é frequentemente confundida com independência absoluta.
O chamado atual é construir comunidades que sejam verdadeiros laboratórios de humanidade. Isso implica acolher a interculturalidade, integrar diferentes gerações e nacionalidades em um projeto comum, testemunhando que o Evangelho possui força real para reconciliar diferenças.
Fidelidade Criativa e Desapego das Estruturas
Muitas congregações carregam hoje o peso de estruturas pensadas para um outro tempo histórico. A realidade vocacional atual exige aquilo que chamamos de fidelidade criativa: ser fiel ao fundador não por meio da repetição mecânica do passado, mas pela encarnação viva de seu espírito nas periferias do presente.
Isso pode significar morrer para determinadas estruturas como: fechar casas, entregar obras, a fim de renascer em presenças mais simples e próximas do povo, onde o testemunho da vida vale mais do que a posse de bens ou patrimônios.
Os Conselhos Evangélicos como Sinal de Contradição
Os conselhos evangélicos continuam sendo sinais proféticos em um mundo marcado por fortes tensões culturais:
- A Pobreza em contrapartida da lógica do descarte e do acúmulo.
- A Castidade desafia a banalização dos afetos, propondo uma fecundidade que não se fecha na posse, mas se abre radicalmente ao serviço.
- A Obediência questiona tanto o autoritarismo quanto o subjetivismo, propondo a escuta comunitária e discernida da vontade de Deus.
A vida consagrada não depende de estratégias de marketing nem de grandes planos de gestão, mas da capacidade de tornar-se vinho novo. O desafio é assumir, com humildade e alegria, a condição de minoria profética e significativa, como expressão de fidelidade evangélica.
A vida consagrada não está desaparecendo; está sendo conduzida novamente ao deserto para reencontrar o seu primeiro amor e, a partir dele, oferecer ao mundo aquilo de que ele mais necessita: o testemunho da Esperança.
Mensagem do Governo Provincial da PMMM
Em celebração ao Dia Mundial da Vida Consagrada e à Festa da Apresentação do Senhor, o Governo Provincial da Província Maria, Mãe dos Migrantes enviou uma mensagem, assinada pela Ir. Carmen Lucia Pereira, que está disponível em Português, Espanhol e Inglês.
Português
Espanhol
Inglês
Do Serviço de Comunicação














