O Brasil atingiu a marca de 165.774 refugiados reconhecidos em 2025, de acordo com o relatório Refúgio em Números, lançado pelo Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra) na segunda-feira, 22. O número representa um aumento de 5,9% em relação aos dados de 2024.
Segundo os dados do relatório, no ano passado o CONARE deferiu 8.946 pedidos de refúgio e concedeu 216 extensões da condição de refugiado, totalizando 9.162 pessoas reconhecidas como refugiadas em 2025.
A principal base legal para os reconhecimentos foi a situação de grave e generalizada violação de direitos humanos (GGVDH), responsável por 94,7% dos deferimentos. Os venezuelanos representaram 92% dos reconhecimentos da condição de refúgio em 2025, totalizando 8.232 reconhecimentos.
Brasil recebeu mais de 550 mil solicitações de refúgio desde 2010
A publicação aponta que, entre 2010 e 2025, o Brasil recebeu 551.072 solicitações de reconhecimento da condição de refugiado, representando 99,6% de todos os pedidos registrados na história do país. Segundo o documento, os anos com maior número de solicitações registradas foram 2019, com 82.552; 2018, com 79.831; e 2025, com 75.599.
Ao longo dos 15 anos analisados, o Brasil recebeu solicitantes de 177 nacionalidades diferentes, sendo a Venezuela a principal nacionalidade, com 288.343. Em seguida, figuram Cuba, com 94.672, Haiti, com 40.819, e Angola, com 19.962. De acordo com o refúgio em Números, esses quatro países concentraram 80,5% de todos os pedidos de refúgio registrados entre 2010 e 2025
Segundo o relatório, os maiores números de reconhecimentos da condição de refugiado aconteceram em 2023, quando 77.193 pessoas receberam o reconhecimento. Em seguida, figuram os anos de 2020, com 26.577 solicitações reconhecidas, e 2019, com 21.241. Em conjunto, o volume de pessoas reconhecidas nos anos de 2019, 2020 e 2023 representou cerca de 76,8% do total de pessoas que obtiveram refúgio no período analisado.
Do total de pessoas que obtiveram reconhecimento da condição de refugiado, 54,9% eram homens e 44,3% eram mulheres. Em relação à origem, a Venezuela aparece liderando o ranking, com 91,8% dos reconhecimentos. Em seguida, figuram a Síria, com 2,6%, o Afeganistão, com 1% e Cuba e República Democrática do Congo, ambas com 0,7%.
Solicitações de refúgio em 2025
O Refúgio em Números aponta que, em 2025, o Brasil recebeu 75.599 novas solicitações, um aumento de 10,9% em relação a 2024, quando o país recebeu 68.159 pedidos de reconhecimento da condição de refugiado.
De acordo com o relatório, pela primeira vez em muitos anos, os cubanos superaram os venezuelanos como principal nacionalidade solicitante, tendo registrado 41.919 solicitações em 2025, o que corresponde a 55,4% do total. Em seguida, vem os nacionais da Venezuela, com 21.233 pedidos, Colômbia, com 1.432, Angola, com 1.253, e Marrocos, com 888.
Quanto ao perfil dos solicitantes, o documento aponta que a maioria tinha entre 25 e 40 anos (26.911 pessoas), seguida pelo grupo de 41 a 60 anos (16.492). Crianças e adolescentes de até 17 anos representaram 23,1% dos solicitantes, evidenciando a presença significativa de famílias em deslocamento forçado.
O Refúgio em Números é uma publicação anual elaborada pelo Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra), em parceria com o Comitê Nacional para os Refugiados (CONARE) e o Ministério da Justiça e Segurança Pública. O relatório reúne e analisa dados oficiais sobre solicitações de refúgio, reconhecimentos da condição de refugiado e o perfil das pessoas refugiadas e solicitantes de refúgio no Brasil.
Tendências Globais do ACNUR
De acordo com o relatório Tendências Globais, lançado pelo ACNUR (Agência da ONU para os Refugiados) no dia 11 de junho, 117,8 milhões de pessoas estavam em situação de deslocamento forçado no final de 2025, incluindo quase 42 milhões de refugiados. O número representa a primeira queda global em uma década, com 5,4 milhões a menos do que o registrado ao final de 2024. Apesar da queda, a Agência ressalta que os números continuam em níveis históricos.
Segundo o ACNUR, no fim de 2025 foram registrados 41,6 milhões de refugiados em todo o mundo, incluindo 35,7 milhões sob o mandato do ACNUR. O relatório aponta, ainda, que os seis principais países anfitriões concentravam 36% dos refugiados e pessoas com necessidade de proteção internacional no fim de 2025. O Tendências Globais traz, ainda, informações sobre deslocamentos, retornos, reassentamentos e apatridia.
Por Amanda Almeida, do Serviço de Comunicação











