De acordo com novos dados da Organização Internacional para as Migrações (OIM), as chegadas à Europa caíram quase 40% em comparação com o ano passado, ao mesmo tempo que as mortes nas rotas do Mediterrâneo Central aumentam. Essa tendência foi divulgada, também, em um relatório lançado em agosto pela OIM, que analisou dados obtidos entre janeiro e abril de 2026.
Os dados apontam para quase 60.000 chegadas de migrantes e refugiados à Europa pelo mar entre janeiro e setembro de 2026, uma queda de 39% em relação ao 98.040 registrados no mesmo período do ano passado.
Apesar da queda, os dados da OIM apontam que pelo menos 2.292 pessoas morreram ou desapareceram tentando a travessia marítima até a Europa, um aumento de cerca de 15% em comparação com as 1.999 registradas no mesmo período de 2025. As rotas do Mediterrâneo e do Atlântico, usadas por muitos migrantes para chegar ao continente europeu, são consideradas as rotas marítimas mais mortais do mundo.
Em comunicado, a Diretora-Geral da OIM destacou preocupação com os dados, apontando que quase todas as mortes e desaparecimentos em rotas marítimas são evitáveis. “As consequências continuam muito tempo depois. Restos mortais permanecem sem identificação, deixando famílias buscando respostas além das fronteiras, muitas vezes por anos”, afirmou.
Os dados da OIM apontam que a queda mais acentuada nas chegadas foi observada na rota do Mediterrâneo Central para a Itália, onde caíram 55%, saindo de 48.231 em 2025 para 21.393 em 2026. Apesar disso, as mortes de migrantes registradas na região aumentaram de 844 para 996.
Na Grécia, foram registradas 20.248 chegadas desde janeiro, contra 25.427 de 2025, enquanto que as mortes na rota do Mediterrâneo Oriental passaram de 284 para 417.
De acordo com os dados da OIM, a Espanha registrou 16.794 chegadas de migrantes pelas rotas do Atlântico e do Mediterrâneo Ocidental, contra 22.855 no mesmo período do ano passado. Na região, foram registradas 879 mortes de migrantes.
Já os dados do Ministério do Interior da Espanha apontam que, entre 1º de janeiro e 15 de setembro, 17.206 migrantes chegaram ao país por via marítima, o que representa uma queda de 27% em relação aos 23.595 registrados no mesmo período do ano passado. Desse número, 11.591 chegaram através das Ilhas Baleares e da Península. Outros 5.592 chegaram às Ilhas Canárias, com uma queda de 55% em comparação ao ano passado.
De acordo com a OIM, as interceptações continuam em grande escala. Entre janeiro e setembro, 17.067 migrantes foram interceptados no mar e devolvidos à Líbia, segundo dados da Guarda Costeira Líbia.
Em comunicado, a Diretora-Geral da OIM destacou que o aumento das mortes de migrantes demonstra que eles estão empreendendo jornadas por rotas cada vez mais perigosas e instou à cooperação internacional para salvar vidas, proteger as pessoas em movimento, ampliar as rotas seguras e regulares e combater o tráfico e a exploração.
Relatório aponta mudanças nas rotas migratórias e aumento dos riscos
Em relatório divulgado em agosto de 2026, a OIM aponta que as rotas migratórias passaram por importantes transformações nos primeiros quatro meses do ano. Embora algumas rotas tenham registrado queda nas chegadas, conflitos, mudanças nas políticas migratórias, condições climáticas, fatores econômicos e eventos extremos continuam influenciando os deslocamentos, alterando destinos, nacionalidades e níveis de vulnerabilidade das pessoas migrantes.
Na América Latina e no Caribe, a redução dos fluxos em direção aos Estados Unidos foi acompanhada pelo fortalecimento de movimentos intrarregionais, especialmente pela Rota Andina. A OIM também destaca mudanças nas rotas do Mediterrâneo, da África e do Oriente Médio, evidenciando que a diminuição das chegadas não significa necessariamente menos migração, mas a transformação dos caminhos utilizados. Ao mesmo tempo, conflitos prolongados e mudanças ambientais seguem entre os principais fatores associados aos deslocamentos.
Por Amanda Almeida, do Serviço de Comunicação, com informações da OIM













