O Papa Leão XIV defendeu o uso da tecnologia a serviço da dignidade humana, da sustentabilidade e do combate à fome em mensagem pelo Dia Mundial da Alimentação, celebrado nesta sexta-feira, 16. Com o tema “Inovar hoje. Nutrir amanhã”, a data motiva a reflexão sobre os desafios dos sistemas alimentares e a necessidade de garantir o acesso à alimentação adequada.
No texto, dirigido ao diretor-geral da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), Qu Dongyu, o Pontífice destaca o contraste entre o avanço tecnológico e a permanência da fome e da pobreza no mundo. Para ele, essa realidade evidencia uma crise que ultrapassa as questões técnicas e financeiras. “Este não é um problema técnico ou financeiro, mas sim uma profunda crise antropológica e ética”, afirma.
Leão XIV ressalta que a inovação não deve ser orientada exclusivamente pelo lucro, mas contribuir para a proteção dos recursos naturais, a valorização dos agricultores e a promoção do bem comum. O Papa também alerta para os impactos de tecnologias que degradam o solo e comprometem a agricultura familiar.
Acesso à alimentação e justiça social
Na mensagem, o Pontífice afirma que o acesso regular a alimentos seguros, adequados e suficientes é um direito humano fundamental e uma responsabilidade dos Estados e da comunidade internacional. “É intolerável que o pão seja considerado um privilégio e a água, uma mercadoria disputada”, declara.
O Papa critica ainda a concentração econômica no setor alimentar e o uso dos alimentos como instrumentos de pressão geopolítica ou armas de guerra. Segundo ele, a produção e a distribuição devem ser orientadas pelas necessidades da população, e não por interesses exclusivamente financeiros.
Sustentabilidade e compromisso com o futuro
Leão XIV também defende a integração entre os avanços científicos e os conhecimentos tradicionais dos agricultores, além da proteção da água e da recuperação de solos degradados. O Pontífice pede que os recursos destinados à indústria bélica sejam direcionados à pesquisa agrícola sustentável.
Ao se dirigir à FAO e aos seus Estados-membros, o Papa solicita medidas concretas para transformar os sistemas alimentares e construir uma ordem global baseada na dignidade humana e na justiça. “O amanhã não é um período abstrato que nos aguarda passivamente; pelo contrário, é a colheita do que semeamos hoje por meio de nossas decisões”, afirma.
O Pontífice conclui a mensagem com um apelo à responsabilidade coletiva na construção de um futuro em que a inovação contribua para combater a fome, preservar a criação e garantir que todas as pessoas tenham acesso à alimentação.
Por Amanda Almeida, do Serviço de Comunicação















