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Igreja na África Austral intensificou proteção a migrantes e combate ao tráfico humano em 2025

O Escritório de Migrantes, Refugiados e Tráfico Humano da Conferência dos Bispos Católicos da África Austral (SACBC) reafirmou o seu compromisso profético com a dignidade humana ao apresentar o seu Relatório Anual de 2025. Sob o lema “Migrantes, Missionários de Esperança”, a Igreja Católica na região intensificou as suas ações de acolhimento, proteção e integração num cenário de crescente mobilidade humana. O documento está disponível em inglês e português.

Em sua mensagem introdutória, Ir. Neide Lamperti, Missionária Scalabriniana e Coordenadora do Escritório de Migrantes, Refugiados e Tráfico Humano da SACBC, destacou que o ano de 2025 foi “um tempo de graça”, sublinhando que cada gesto de cuidado é uma oportunidade para construir pontes e derrubar muros em direção a uma sociedade mais justa.

“Ao longo deste ano, fortalecemos a colaboração com dioceses, congregações religiosas, lideranças comunitárias, organizações diversas, promovendo espaços de escuta, formação e ação pastoral”, sublinhou Ir. Neide, que destacou, ainda, que o Escritório buscou oferecer ferramentas para que as comunidades locais se tornem lugares de acolhida e esperança.

Crescimento da População Migrante
O relatório indica que a população imigrante na África do Sul cresceu de 2,1% em 1996 para 3,9% em 2022, totalizando cerca de 2,4 milhões de pessoas, das quais mais de 1 milhão são mulheres. Gauteng continua a ser o destino principal, atraindo quase 28,4% da população migrante masculina. Perante este cenário, Dom Joseph Mary Kizito, Bispo referencial do Escritório, destacou que o papel da Igreja é oferecer “um lar e raízes” para que estas pessoas possam reerguer-se.

Foco na Formação e Prevenção do Tráfico Humano
Um dos eixos centrais das atividades de 2025 foi a prevenção do tráfico humano através da educação:

Educação nas Escolas: Foram realizadas sessões de sensibilização em instituições como a Sunduza Primary School e a Soshangane Primary School, capacitando crianças e educadores para identificar sinais de exploração e métodos de aliciamento.

Capacitação de Líderes: Mais de 50 líderes diocesanos e dezenas de migrantes participaram em workshops intensivos em regiões críticas, como a fronteira Musina–Beitbridge, focados na Lei de Prevenção e Combate ao Tráfico de Pessoas de 2013.

Apoio Jurídico e Documentação: A Igreja facilitou o acesso a processos de asilo e assistência jurídica, essencial para migrantes que enfrentam barreiras burocráticas e xenofobia.

Solidariedade nas Fronteiras e Abrigos
O relatório destaca, aindam o trabalho vital realizado em abrigos como o Bienvenu Shelter, das Irmãs Scalabrinianas, e o Sacred Heart Shelter em Musina, que oferecem refúgio seguro a mulheres e crianças vulneráveis, apoio psicológico e assistência na integração escolar. Em zonas fronteiriças como as da África do Sul com o Lesoto e o Zimbabué, a SACBC realizou missões pastorais para monitorizar movimentos migratórios e apoiar crianças indocumentadas que lutam pelo direito básico ao registo de nascimento.

Advocacia e Redes Internacionais
A nível político, a SACBC participou ativamente em consultas sobre o “Livro Branco sobre Cidadania, Imigração e Proteção de Refugiados” e na 6ª Conferência Anual de Políticas da SAMIN, onde foi adotada a Declaração de Boksburg 2025 para uma governação migratória mais humana. A colaboração com redes como a Talitha Kum resultou no reconhecimento internacional de irmãs católicas pelo seu serviço incansável contra a exploração humana.

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Do Serviço de Comunicação

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