O Vaticano divulgou nesta sexta-feira, 06, a mensagem do Papa Leão XIV para o 12º Dia Mundial de Oração e Reflexão Contra o Tráfico de Pessoas, que será celebrado no próximo domingo, 8, com o tema “A paz começa com a dignidade: um apelo global para acabar com o tráfico de pessoas”. Na mesma data, a Igreja recorda Santa Josefina Bakhita, padroeira dos sequestrados e escravizados.
“Renovo com firmeza o apelo urgente da Igreja para enfrentar e pôr fim a este grave crime contra a humanidade”, inicia o Papa Leão XIV, que, em seguida, recorda a saudação do Senhor Ressuscitado “A paz esteja convosco”, destacando que essas palavras “oferecem um caminho para uma humanidade renovada”, pois “a verdadeira paz começa com o reconhecimento e a proteção da dignidade dada por Deus a cada pessoa”. No entanto, destaca o Papa, em uma época marcada pelo aumento da violência, muitos são tentados a buscar a paz através das armas, com a perda de vidas humanas sendo descartada como “dano colateral”.
“Infelizmente, a mesma lógica de domínio e desrespeito pela vida humana também alimenta o flagelo do tráfico de seres humanos”, afirma o Papa Leão XIV, ressaltando que “a instabilidade geopolítica e os conflitos armados criam um terreno fértil para os traficantes explorarem os mais vulneráveis, especialmente as pessoas deslocadas, os migrantes e os refugiados”, com as mulheres e crianças sendo as mais afetadas. Ele sublinha, ainda, o crescente abismo entre ricos e pobres como um dos fatores que leva pessoas a acreditarem em promessas enganosas.
O Papa ressalta que esse fenômeno é “particularmente perturbador” com o aumento da “escravidão cibernética”, em que pessoas são atraídas para atividades criminosas, como golpes virtuais e contrabando de drogas. “Nesses casos, a vítima é coagida a assumir o papel de perpetrador, exacerbando as suas feridas espirituais. Estas formas de violência não são incidentes isolados, mas sintomas de uma cultura que se esqueceu de amar como Cristo ama”, afirma.
Diante desses desafios, o Papa chama a Igreja a recorrer à oração e à reflexão, pontuando que a oração é a “pequena chama” que deve ser protegida no meio da tempestade “pois dá-nos força para resistir à indiferença perante a injustiça”. Ele sublinha que a reflexão sobre o tema do tráfico de pessoas permite identificar os mecanismos ocultos de exploração, ressaltando que “a violência do tráfico de seres humanos só pode ser superada através de uma visão renovada que considere cada indivíduo como um filho amado de Deus.”
Leão XIV expressa, ainda, sua gratidão às pessoas que “servem como se fossem as mãos de Cristo”, indo ao encontro das vítimas do tráfico, e aos sobreviventes que se tornaram advogados em defesa de outras vítimas. Confiando aqueles que comemoram a data à intercessão de Santa Josefina Bakhita, ele faz um chamado aos fiéis: “juntemo-nos todos na caminhada rumo a um mundo onde a paz não seja apenas a ausência de guerra, mas seja “desarmada e desarmante”, enraizada no pleno respeito pela dignidade de todos.”
Santa Josefina Bakhita, padroeira dos sequestrados e escravizados
Nascida no Sudão em 1869, ainda criança foi sequestrada e vendida como escrava. Pelo trauma vivido, esqueceu seu próprio nome e passou a ser chamada Bakhita, “afortunada”, por seus raptores.
Após anos de sofrimento, foi vendida ao cônsul da Itália no Sudão, Calixto Legnani, que logo lhe deu uma carta de liberdade. Alguns anos depois, quando ele foi obrigado a voltar para a Itália, Bakhita pediu-lhe para ir junto. Quando chegou à Itália, em 1884, foi morar na casa da família Michieli, onde se tornou babá e amiga da filha mais nova do casal, que acabava de nascer. Em dado momento a família precisou viajar durante 9 meses, deixando Bakhita e a filha mais nova aos cuidados das Irmãs Canossianas de Veneza.
No convento, em 1890, ela recebeu os Sacramentos da Iniciação Cristã e foi batizada como Josefina. Lá, ela sentiu o chamado de Deus para se tornar religiosa e, em 1896, professou os votos e ingressou na ordem das Irmãs Canossianas. Josefina morreu em 1947, aos 78 anos, e foi canonizada em 1º de outubro de 2000 por São João Paulo II, tornando-se a padroeira dos sequestrados e escravizados.
Por Amanda Almeida, do Serviço de Comunicação











