De acordo com a Frontex, a Agência Europeia da Guarda de Fronteiras e Costeira, 37% menos migrantes atravessaram fronteiras de forma irregular até a União Europeia no primeiro semestre de 2026. Os dados da Agência indicam que mais de 49 mil travessias foram registradas entre janeiro e junho desse ano.
Durante o primeiro semestre, entrou em vigor o Pacto da UE sobre Migração e Asilo, que introduz um processo de triagem único e padronizado nas fronteiras do bloco. Entre as medidas previstas está a determinação de que todos os imigrantes que cruzam as fronteiras da UE de forma irregular são sujeitos a verificações biométricas e de segurança, com os dados armazenados na base de dados Eurodac.
Apesar das quedas, o primeiro semestre de 2026 registrou 49.199 travessias de migrantes até a UE, com cerca de 60% tendo acontecido através do Mediterrâneo Oriental e do Mediterrâneo Central, que registraram 16.643 e 14.340 migrantes entre janeiro e julho, respectivamente.
Mesmo com os altos números e se estabelecendo como a rota mais movimentada da Europa no primeiro semestre, o Mediterrâneo Oriental apresentou uma queda de 20% nas travessias em relação ao mesmo período de 2025, enquanto que o Mediterrâneo Central registrou 52% menos migrantes do que no ano passado. No Mediterrâneo Ocidental, que figura como a terceira rota mais movimentada da UE, foram registradas 7.860 travessias em 2026, um aumento de 17% em relação ao ano passado.
Apesar das quedas nas travessias, o projeto Migrantes Desaparecidos, da Organização Internacional para as Migrações (OIM), registrou 1.414 mortes e desaparecimentos de migrantes no Mar Mediterrâneo em 2026. Desse total, 865 foram registradas no Mediterrâneo Central, 324 no Mediterrâneo Oriental e 225 no Mediterrâneo Ocidental.
A rota da África Ocidental, que registrou 3.714 travessias nos primeiros seis meses de 2026, foi a rota com a maior queda nos registros, com 67% a menos que no mesmo período do ano passado. De acordo com a Frontex, o fluxo na região permanece instável, com condições marítimas favoráveis que impulsionaram um aumento sazonal nas partidas em direção às Ilhas Canárias, e a incerteza política no Senegal, que pode agravar a pressão migratória nos próximos meses.
Apesar da grande queda nas travessias registradas pela Frontex, em 2026 a OIM já registrou 168 mortes e desaparecimentos de migrantes na rota da África Ocidental, de um total de 6.606 desde 2014.
Além das rotas de entrada na UE, os dados da Frontex apontam que as tentativas de saída em direção ao Reino Unido através do Canal da Mancha, incluindo tanto as pessoas que conseguiram chegar ao Reino Unido quanto as impedidas de sair, caíram 44% no primeiro semestre de 2026, totalizando 18.367, sendo 3.116 apenas no mês de junho.
Por Amanda Almeida, do Serviço de Comunicação














