No Dia Mundial do Refugiado, o Escritório de Migrantes, Refugiados e Tráfico Humano da Conferência dos Bispos Católicos da África Austral (SACBC), coordenado pela Irmã Scalabriniana Neide Lamperti, realizou uma visita à comunidade de Bronkhorstspruit, onde vivem aproximadamente 60 refugiados provenientes da República Democrática do Congo e do Burundi. A comunidade encontra-se a mais de 30 km da cidade mais próxima, numa área isolada, sem acesso adequado a água potável, alimentação, saúde, trabalho, oportunidades e apoio institucional. O isolamento geográfico e social agrava profundamente as condições de vida já extremamente precárias.
Nesta realidade, os refugiados enfrentam múltiplas formas de vulnerabilidade. Não conseguem trabalhar formalmente, nem cultivar os próprios alimentos devido à ausência de espaço e condições adequadas para subsistência. As crianças, por sua vez, não têm acesso à educação, em razão da falta de transporte, recursos e proximidade de escolas. Trata-se de uma comunidade praticamente esquecida, com apoio muito limitado das estruturas e organizações responsáveis pela proteção de refugiados, o que coloca famílias inteiras em situações de profunda fragilidade social, económica e emocional.
Neste contexto, o Departamento priorizou este ano uma atenção especial a esta comunidade, promovendo uma ação concreta de solidariedade por meio da distribuição de alimentos, roupas, calçados, cobertores e outros bens essenciais. Para além da assistência material, a presença da equipe foi um sinal concreto de proximidade, escuta e respeito pela dignidade humana, reforçando o compromisso com a proteção da vida e dos direitos fundamentais.
Durante a visita, foi possível sentar com as famílias, escutar as suas histórias e partilhar uma refeição em espírito de fraternidade. Houve também um momento de oração com a comunidade, respeitando a diversidade religiosa, bem como uma reflexão conjunta sobre a realidade do tráfico humano, que continua a ameaçar especialmente pessoas em situação de deslocamento forçado e extrema vulnerabilidade. Apesar do isolamento, este grupo também tem enfrentado situações de xenofobia e violência contra migrantes, incluindo ameaças de expulsão do país até 30 de junho, sem alternativas ou condições reais de deslocamento.
A visita reafirmou o compromisso da SACBC em acompanhar mais de perto esta comunidade, promovendo presença contínua, escuta ativa e a busca de alternativas concretas que possam contribuir para a proteção dos direitos humanos e para a construção de caminhos de dignidade, justiça e esperança.





































Por Ir. Neide Lamperti, com o Serviço de Comunicação


















