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Diásporas impulsionam ajuda humanitária e reconstrução em países afetados por crises, aponta OIM

Um relatório da Organização Internacional para as Migrações (OIM) divulgado nesta sexta-feira, 22, destaca o papel estratégico das diásporas (migrantes e seus descendentes) na resposta a crises humanitárias em todo o planeta. Em 2024, as remessas enviadas por migrantes aos seus países de origem atingiram cerca de US$ 700 bilhões, superando a ajuda oficial ao desenvolvimento e o investimento estrangeiro direto combinados.

O relatório “Engaging with Diaspora in Humanitarian Crises” aponta que as diásporas respondem a emergências mais rapidamente que muitos mecanismos humanitários tradicionais. Como exemplo, estão a mobilização de resposta rápida às enchentes provocadas pelo fenômeno El Niño na Somália por redes da diáspora somali e a mobilização de mais de 100 organizações da diáspora haitiana na coordenação de ações após o terremoto de 2021 no Haiti.

O documento destaca que essas remessas não servem apenas para sustentar famílias. Em situações de crise, elas financiam alimentação, moradia, medicamentos, reconstrução de casas, educação e pequenos negócios. A OIM sublinha que, por chegarem diretamente às famílias, esses recursos costumam ser mais rápidos do que os mecanismos formais de ajuda humanitária.

Haiti
Em uma crise humanitária prolongada, cerca de 6 milhões de pessoas necessitam de assistência humanitária no Haiti atualmente, de acordo com dados da UNOCHA (Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários). Segundo o Migration Policy Institute, a diáspora haitiana é estimada entre 1,6 e 3 milhões de pessoas.

De acordo com a OIM, após o terremoto de 2021 no Haiti, mais de 100 organizações da diáspora haitiana participaram na coordenação de ações de resposta emergencial. O relatório aponta que a diáspora não atuou apenas enviando recursos, mas ajudou a criar centros de coordenação, grupos temáticos de trabalho, sistemas de compartilhamento de informações e estratégias de reconstrução segura.

Outro dado expressivo foi o registro de envio de 1,4 milhão de mensagens com orientações sobre reconstrução segura e redução de riscos de desastres para populações vulneráveis, em parceria com a Digicel.

Líbano
De acordo com dados do DEMAC (Diaspora Emergency Action & Coordination) citados pelo relatório, a diáspora libanesa é estimada em cerca de 15 milhões de pessoas, mais que o dobro da população residente no país.

O relatório aponta que, com o apoio da diáspora, 6 centros de atenção primária à saúde implementaram serviços de telemedicina durante a pandemia. Além disso, foi lançada a Tripoli Peace Initiative, que utiliza mecanismos de cofinanciamento para fortalecer a coesão social e a governança local.

Filipinas
Segundo o relatório, que cita dados da Commission on Filipinos Overseas, aproximadamente 10,8 milhões de filipinos vivem em mais de 200 países. O documento aponta que, nas Filipinas, onde os desastres climáticos são frequentes, a diáspora participa ativamente de ações de prevenção e reconstrução.

A OIM aponta que mais de 10,7 milhões de pessoas foram alcançadas por uma campanha digital sobre moradia segura apoiada pela Meta. Além disso, 375 famílias foram beneficiadas com empréstimos para moradias resilientes, concedidos com garantias fornecidas pela diáspora nos EUA, para reconstruir ou reforçar suas casas.

Foi criado, ainda, o FilAM Alerts, uma plataforma para coordenação da diáspora em situações de crise. Lançada pela OIM e parceiros, a plataforma visa melhorar a comunicação em crises permitindo que os usuários compartilhem alertas, atualizações confiáveis e coordenem respostas durante emergências.

Somália
O relatório aponta que a diáspora somali ultrapassa 2 milhões de pessoas, com remessas que superam US$ 2 bilhões por ano, representando mais de um terço do PIB do país, o que significa que uma parte significativa da economia somali depende diretamente dos migrantes que vivem no exterior.

As informações do documento mostram, ainda, que mais de 50 organizações da diáspora somali participam regularmente de espaços de coordenação humanitária. Pelo menos US$ 550 mil foram arrecadados por meio do sistema de cofinanciamento comunitário, com 51 projetos comunitários implementados, incluindo escolas, centros de saúde, poços artesianos e infraestrutura solar, de acordo com a OIM Somália.

Ucrânia
Dados do ACNUR (Agência da ONU para os Refugiados), a Ucrânia possui mais de 3,7 milhões de deslocados internos e 5,8 milhões de refugiados fora do país. Durante o primeiro ano da guerra no país, a OIM aponta, a partir de dados do DEMAC, que a diáspora arrecadou aproximadamente US$ 283 milhões para apoiar as vítimas do conflito.

O documento mostra que, em 2024, a OIM trabalhou com mais de 225 organizações da diáspora para apoiar processos de reconstrução na Ucrânia. Além disso, a plataforma “My City” registrou 14 projetos de recuperação comunitária financiados conjuntamente por comunidades locais e diáspora. Segundo o relatório, 40 grupos da diáspora foram consultados em mais de 10 sessões de engajamento realizadas para a Conferência de Recuperação da Ucrânia (URC2025).

Conclusão
O relatório conclui que as diásporas respondem mais rapidamente às emergências que muitos mecanismos humanitários tradicionais, além de mobilizarem recursos financeiros significativos, principalmente por meio de remessas, fundos coletivos e cofinanciamento. As diásporas possuem, ainda, conhecimento cultural e redes de confiança, que facilitam o acesso às populações afetadas, chegando a locais onde nem sempre as grandes organizações conseguem chegar.

Além disso, o documento mostra que as diásporas fortalecem a recuperação a longo prazo, apoiando projetos de saúde, educação, geração de renda e reconstrução, promovendo respostas mais locais e sustentáveis.

O relatório demonstra que os migrantes não são apenas beneficiários de ajuda: eles também se tornam protagonistas da solidariedade global, sustentando comunidades inteiras por meio de redes transnacionais de cuidado, apoio financeiro e reconstrução.

Ao manterem vínculos com suas comunidades de origem, as diásporas tornam-se pontes de fraternidade entre povos, mobilizando recursos, conhecimentos e redes de cuidado que salvam vidas e ajudam a reconstruir sociedades inteiras após crises e desastres.

Acesse o relatório completo em: https://crisisresponse.iom.int/sites/g/files/tmzbdl1481/files/uploaded-files/Engaging-with-Diaspora-in-humanitarian-crises.pdf

Por Amanda Almeida, do Serviço de Comunicação

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