De acordo com o relatório “Latest Asylum Trends: Mid-Year Review 2026”, da EUAA, a Agência da União Europeia para o Asilo, os pedidos de refúgio em países da UE caíram 17% no primeiro semestre de 2026, em comparação com o mesmo período do ano passado. O documento analisa dados sobre pedidos de asilo no bloco entre janeiro e julho.
O documento aponta que cerca de 332 mil pedidos de asilo foram registrados na UE nos primeiros seis meses de 2026, o menor número para o período desde 2019, desconsiderando os anos afetados pela pandemia. No ano passado, cerca de 400 mil pedidos de proteção internacional foram registrados apenas entre janeiro e julho, de um total de cerca de 827 mil pedidos recebidos durante todo o ano de 2025.
Segundo o relatório, as principais nacionalidades observadas nas solicitações foram os afegãos, com aproximadamente 39 mil pedidos, venezuelanos, com 33 mil, bangladeshis, com 20 mil, egípcios, com 12 mil, e turcos, também com 12 mil pedidos. Os dados apontam que os 20 principais países de origem concentraram cerca de 70% de todos os pedidos.
Ao mesmo tempo, algumas nacionalidades apresentaram crescimento significativo, com os sudaneses liderando a lista, com cerca de 11 mil pedidos, quase o dobro do registrado no ano passado. Em seguida, figuram os haitianos, com aproximadamente 8,6 mil (aumento de 27%), somalis, com 9,7 mil (aumento de 15%), malianos, com 9,7 mil (aumento de 8%), e chineses, com 5 mil, o maior nível registrado para um primeiro semestre.
Entre as nacionalidades que apresentaram as maiores quedas estão os sírios, com 11 mil pedidos (queda de 57%), colombianos, com 6,2 mil (queda de 54%), e ucranianos, com 8,2 mil (queda de 47%).
Afeganistão passa a liderar os pedidos
O relatório da EUAA aponta que os afegãos foram a principal nacionalidade solicitante de asilo na UE no primeiro semestre, com cerca de 39 mil pedidos, embora o total tenha caído 7% em relação ao primeiro semestre de 2025.
O relatório relaciona o aumento observado em 2025 principalmente a pedidos repetidos de mulheres afegãs que já estavam na Europa, após esclarecimentos jurídicos sobre a proteção de mulheres e meninas sob o regime Talibã. No primeiro semestre de 2026, tanto os pedidos iniciais quanto os repetidos começaram a diminuir.
Pedidos sírios atingem níveis historicamente baixos
Os pedidos de cidadãos sírios caíram 57% no primeiro semestre de 2026 em comparação com 2025 e 85% em relação a 2024. O relatório relaciona essa queda à mudança política na Síria após a queda do governo de Bashar al-Assad, em dezembro de 2024, e ao aumento dos retornos.
Entretanto, a EUAA ressalta que a redução dos pedidos não significa que a crise de deslocamento tenha terminado. Em 2026, cerca de 15,6 milhões de pessoas na Síria ainda necessitavam de assistência humanitária, incluindo mais de 5,5 milhões de deslocados internos.
Quatro países concentram 75% dos pedidos
O documento aponta que, no primeiro semestre de 2026, 75% dos pedidos de asilo estiveram concentrados em quatro países, sendo eles França, com cerca de 69 mil solicitações, Itália, com 66 mil, Espanha, com 55 mil, e Alemanha, com 54 mil pedidos. Além desses, a Grécia recebeu outros 23 mil pedidos durante o mesmo período.
Entre janeiro e junho de 2026, a taxa de reconhecimento da condição de refugiado na primeira instância foi de 31%, o que significa que aproximadamente um terço das decisões concedeu status de refugiado ou proteção subsidiária. Formas nacionais de proteção, como algumas modalidades de proteção humanitária, não entram nesse cálculo.
Novo Pacto Europeu sobre Migração e Asilo entrou em vigor
O Pacto sobre Migração e Asilo entrou em aplicação em 12 de junho de 2026. Entre as mudanças destacadas pelo relatório está o tratamento mais rápido de pedidos considerados com menor probabilidade de resultar em proteção internacional, incluindo aqueles provenientes de países classificados como seguros ou com taxa de reconhecimento de 20% ou menos.
A primeira lista comum da UE de países de origem seguros inclui Bangladesh, Colômbia, Egito, Índia, Kosovo, Marrocos e Tunísia, entre outros. Mesmo nesses procedimentos, a avaliação individual das circunstâncias do solicitante continua prevista.
Por Amanda Almeida, do Serviço de Comunicação













