De acordo com um novo relatório da Organização Internacional para as Migrações (OIM), a Ucrânia registrava 3,9 milhões de deslocados internos no final de junho, representando cerca de 12,5% da população do país. De acordo com a OIM, o número é estável em comparação com os dados de março.
O documento aponta que o deslocamento na Ucrânia se tornou prolongado, com 83% dos deslocados estando nessa condição há mais de um ano e 68% há mais de dois anos, com a duração média do deslocamento chegando a 47 meses.
Apesar da estabilidade geral observada pelo relatório, cerca de 132 mil pessoas foram deslocadas nos três meses anteriores à pesquisa, principalmente em decorrência dos combates nas regiões de Donetsk, Sumy e Kherson.
De acordo com a OIM, 56% dos deslocados são de áreas atualmente ocupadas pela Rússia, grupo considerado o mais vulnerável. Entre essas pessoas, 85% estão deslocadas há mais de um ano e 46% sofreram deslocamentos múltiplos, sendo que a maioria vive em áreas urbanas e apresenta elevada presença de idosos e pessoas com doenças crônicas.
O relatório aponta que os estados que mais recebem deslocados internos são Dnipropetrovska, com 587 mil, Kharkivska, com 492 mil, Kyiv (cidade), com 382 mil, e Kyivska, com 310 mil. Aproximadamente 34% dos deslocados vivem em áreas próximas à linha de frente do conflito.
Segundo o documento, a pressão econômica continua aumentando, com 87% das famílias deslocadas já tendo recorrido ou esgotado pelo menos uma estratégia de sobrevivência. As medidas mais comuns citadas foram: utilizar as economias (75%); reduzir o consumo de energia (59%); diminuir gastos com saúde e medicamentos (53%); aceitar empregos com salários menores (31%); mudar para moradias de pior qualidade (20%); deixar de pagar aluguel (17%).
O relatório destaca que essas estratégias indicam o esgotamento gradual dos recursos financeiros das famílias e maior risco de novas vulnerabilidades.
De acordo com a OIM, no curto prazo 87% dos deslocados pretendem permanecer onde vivem atualmente. Enquanto isso, no longo prazo 58% dos que permanecerão desejam se integrar à comunidade onde estão vivendo. Entre aqueles que pretendem retornar às suas cidades de origem, 82% afirmam que só voltarão quando cessarem as hostilidades, o que demonstra que a segurança continua sendo o principal fator para qualquer retorno.
O relatório conclui que o deslocamento interno na Ucrânia se tornou uma crise prolongada e permanecem elevadas as necessidades relacionadas à moradia, energia, saúde e geração de renda. Além disso, famílias provenientes de áreas ocupadas, pessoas com deficiência, idosos e pessoas com sofrimento psicológico continuam sendo os grupos mais vulneráveis, destacando a necessidade de fortalecer ações de preparação para o inverno, apoio à moradia, serviços de saúde, proteção social e integração local, ao mesmo tempo em que se evita o retorno prematuro a áreas inseguras.
Por Amanda Almeida, do Serviço de Comunicação














