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Travessias migratórias diminuem na Europa, mas mortes no Mediterrâneo seguem elevadas

Segundo dados da Frontex, a Agência Europeia da Guarda de Fronteiras e Costeira, nos primeiros nove meses de 2026, o número de travessias de migrantes para a União Europeia caiu para cerca de 19% em relação ao ano passado, quando 112.375 travessias foram registradas no mesmo período.

No total, a Frontex registrou 90.865 travessias de fronteira para a União Europeia entre janeiro e setembro de 2026, com pelo menos 14.318 travessias registradas apenas no mês de setembro, quando foi observado um crescimento de cerca de 11% em relação aos dados de agosto.

Os dados da Frontex apontam que o Mediterrâneo Oriental foi a rota migratória mais movimentada nos primeiros nove meses do ano, com 31.803 travessias registradas, 15% a menos do que o observado no mesmo período de 2025. Desse total, 4.772 chegadas foram registradas apenas no mês de setembro, com os principais países de origem sendo Sudão, Bangladesh e Afeganistão.

Em seguida, figura o Mediterrâneo Central, que registrou 22.511 chegadas desde o início de 2026, em uma queda de 56% em relação a 2025, quando foram registradas 41.898 chegadas de migrantes. Entre os principais países de origem observados na rota estão Bangladesh, Argélia e Somália.

Única rota a registrar aumento no número de travessias, o Mediterrâneo Oriental registrou 18.260 travessias de migrantes nos primeiros nove meses de 2026, um aumento de 26% em relação ao ano passado. De acordo com a Frontex, o aumento se concentrou na fronteira terrestre, onde as detecções de migrantes irregulares mais que duplicaram. A Agência aponta as Ilhas Baleares e a Espanha continental como os principais destinos de quem utiliza essa rota, que concentra principalmente cidadãos da Argélia, Mali e Marrocos.

Apesar da redução no número de chegadas irregulares na UE, o projeto Missing Migrants, da Organização Internacional para as Migrações (OIM), já registrou 2.030 mortes nas rotas migratórias do Mar Mediterrâneo em 2026. Desse total, 1.036 aconteceram no Mediterrâneo Central, 533 no Mediterrâneo Oriental e 461 no Mediterrâneo Ocidental.

A rota da África Ocidental, em direção às Ilhas Canárias, registrou uma queda de 45% nos registros de travessias, com 7.100 detecções em 2026. Desse total, 1.939 travessias foram registradas apenas em setembro, quatro vezes mais do que as 388 observadas em agosto, com partidas relatadas de Marrocos e da Gâmbia. De acordo com a Frontex, os principais de origem registrados na rota são Senegal, Gâmbia e Marrocos. De acordo com a OIM, a rota da África Ocidental registrou pelo menos 454 mortes de migrantes desde o início do ano, de um total de 6.892 desde 2014.

Foram registradas, ainda, quedas nas travessias dos Balcãs Ocidentais, que totaliza 6.687 registros desde o início de 2026, 27% a menos que no mesmo período do ano passado, e da fronteira terrestre oriental, que registra 4.498 travessias irregulares em 2026, 51% a menos que nos primeiros nove meses de 2025.

Além das entradas na UE, a Frontex também registrou 26.587 travessias do Canal da Mancha até o Reino Unido, que inclui tanto as pessoas que conseguiram concluir a travessia quanto as impedidas de sair. O número é 43% menor que o registrado nos primeiros nove meses do ano passado, quando 46.381 travessias foram registradas. Os principais países de origem observados na rota são Sudão, Somália e Eritréia.

Por Amanda Almeida, do Serviço de Comunicação

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