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Webinar Internacional reflete sobre o crescente clima de xenofobia contra migrantes e refugiados na África do Sul

O Departamento de Migrantes, Refugiados e Tráfico Humano da Southern African Catholic Bishops’ Conference (SACBC), coordenado pelas Irmãs Scalabrinianas, em parceria com a IMBISA (Associação Inter-Regional dos Bispos da África Austral), realizou nesta sexta-feira, 8, um importante webinar internacional para refletir sobre a real situação dos protestos e ataques contra migrantes e refugiados que têm se intensificado nas últimas semanas na África do Sul.

A organização do encontro esteve sob a responsabilidade da Ir. Neide Lamperti, Missionária Scalabriniana e coordenadora do Departamento de Migrantes, Refugiados e Tráfico Humano da SACBC, e do Padre Rosmini Pelagio, representante da IMBISA. O webinar procurou criar um espaço de escuta, discernimento e partilha diante do agravamento da xenofobia, da afrofobia e da violência contra estrangeiros em diferentes regiões do país.

O encontro reuniu mais de 80 participantes provenientes de diferentes países africanos, entre eles representantes do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, religiosos, lideranças pastorais, diferentes Igrejas, organizações da sociedade civil, advogados, defensores dos direitos humanos e representantes de comunidades de migrantes e refugiadas.

As partilhas principais ficaram a cargo de especialistas e representantes de organizações que atuam diretamente junto das populações migrantes e refugiadas. Entre os convidados estiveram Dom Joseph Marie Kizito, da SACBC; Dr. James Chapmam, do Centro Scalabrini da Cidade do Cabo; Sharon Ekambaram, do Lawyers for Human Rights; Thifulufheli, do Consortium for Refugees and Migrants in South Africa; Yasmin Rajah, do Refugee Social Services; e Pe. Rampe Hlobo, dos Jesuítas da África.

Durante a abertura, realizada por Dom Constantino, da IMBISA, foi recordado que a realidade migratória desafia não apenas os governos e as políticas públicas, mas também as Igrejas, as comunidades e toda a sociedade africana. O Bispo reforçou que a tradição africana sempre esteve profundamente ligada aos valores da hospitalidade, acolhimento e solidariedade entre os povos.

Os convidados, em suas reflexões, denunciaram o aumento preocupante dos discursos de ódio nas redes sociais, ataques físicos, saques, ameaças contra organizações humanitárias e o crescimento de movimentos anti-imigrantes em diferentes províncias, especialmente em Gauteng e KwaZulu-Natal. Também foi destacado o impacto negativo de discursos políticos populistas que utilizam os migrantes como bodes expiatórios para problemas estruturais do país.

Ao longo das reflexões, foram identificadas várias causas que alimentam as atuais manifestações e ataques contra migrantes e refugiados na África do Sul. Entre os principais fatores destacados estiveram:

  • Elevados níveis de desemprego e pobreza;
  • Crescente desigualdade social;
  • Fracasso na prestação de serviços públicos;
  • Corrupção e má governação;
  • Uso político da migração para ganhos eleitorais;
  • Disseminação de desinformação e discurso de ódio nas redes sociais;
  • Falta de regulamentação das plataformas digitais;
  • Frustração social diante das promessas não cumpridas após o apartheid;
  • Ausência de políticas eficazes de integração e proteção social;
  • Narrativas xenófobas promovidas por alguns movimentos políticos e sociais.

Os participantes também enfatizaram que a xenofobia não afeta apenas migrantes e refugiados, mas também cidadãos sul-africanos pertencentes a minorias étnicas e linguísticas, revelando uma crise social mais ampla ligada à exclusão, desigualdade e violência estrutural.

Como resultado do webinar, foram definidos vários passos prioritários para fortalecer a resposta das Igrejas, organizações da sociedade civil e instituições públicas diante da crise atual. Entre os principais encaminhamentos destacam-se:

  • Promover uma pregação firme contra a xenofobia e a afrofobia nas igrejas;
  • Desenvolver uma teologia do acolhimento e da solidariedade;
  • Fortalecer a participação das organizações religiosas no Grupo de Trabalho de Proteção do ACNUR;
  • Criar espaços seguros de diálogo entre sul-africanos, migrantes e refugiados;
  • Desenvolver campanhas contra a desinformação e o discurso de ódio;
  • Defender a regulamentação das redes sociais;
  • Intensificar o apoio psicossocial às vítimas da violência;
  • Reforçar campanhas pela justiça social, combate à desigualdade e proteção dos direitos humanos;
  • Mobilizar mediadores comunitários e religiosos para prevenir novos episódios de violência;
  • Construir estratégias de longo prazo e respostas coordenadas entre Igrejas, sociedade civil e autoridades públicas.

Ao final do evento, houve a intervenção de uma comunidade de refugiados reunida na região de Bronkhorstspruit, a mais de 50 quilómetros de Pretória. Os participantes relataram as difíceis condições em que vivem, marcadas pela falta de acesso adequado a serviços básicos, pobreza extrema, insegurança e frequentes episódios de xenofobia e afrofobia. Mesmo vivendo em condições desumanas, afirmaram continuar sendo alvo de discriminação, exclusão e ameaças constantes.

O webinar terminou com um forte apelo à unidade e à ação coordenada entre as Igrejas, organizações humanitárias e instituições da sociedade civil. Os participantes insistiram na necessidade urgente de transformar a atual cultura de medo, exclusão e violência em caminhos concretos de convivência pacífica, justiça social e fraternidade entre os povos africanos.

Por Ir. Neide Lamperti, com o Serviço de Comunicação

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