A formação do ForMigra realizada no dia 1º de abril partiu de um ponto que nem sempre ganha espaço nas políticas e nos atendimentos: a saúde mental de quem migra.
Com o tema “Saúde Mental e Migração: Lidando com a Saudade de Casa”, o encontro trouxe diferentes vozes e experiências. Contextos distintos, trajetórias diversas. Mas, ao longo das falas, algo se repetia: a saudade.
Não como uma ideia abstrata, mas como algo concreto, cotidiano. Saudade da comida, do cheiro da casa, da forma como o afeto se manifestava. Saudade das pessoas. E, também, saudade de si — de quem se era antes do deslocamento.
A fala de Mayfer foi especialmente significativa ao dar nome a essas camadas. Ela mostrou que a saudade não é só do passado vivido, mas também do futuro que deixou de existir. Dos planos interrompidos. Das expectativas que precisaram ser refeitas em outro território, sob outras regras.
Migrar, nesse sentido, também é reorganizar a própria identidade. É lidar com novas exigências sociais, culturais e institucionais. É ser constantemente lido e, muitas vezes, reduzido a categorias que não dão conta da complexidade da própria história.
O encontro reforçou algo que precisa ser dito com mais frequência: migrar não é apenas mudar de lugar. É atravessar perdas, reconstruir sentidos e aprender a existir em novas camadas.
E é por isso que qualquer resposta à migração que não considere essas dimensões seguirá incompleta. Porque, antes de documentos, existem pessoas. E pessoas carregam histórias que não cabem em formulários.











Por Adriano Pistorelo, do Serviço de Comunicação













