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Scalabrini, as Scalabrinianas e as Comunicações

A celebração do 60º Dia Mundial das Comunicações Sociais em 2026 traz uma provocação profunda da Igreja com o tema definido pelo Papa Leão XIV: “Preservar vozes e rostos humanos na era da Inteligência Artificial”.

São Scalabrini usou a escrita e a oratória para revelar os dramas humanos de sua época. Ele publicou livros, comunicados e proferiu conferências magistrais (como o célebre opúsculo “A Emigração Italiana na América” de 1887). O objetivo era duplo: denunciar os abusos dos “traficantes de carne humana” (agentes que enganavam os migrantes) e comover os governos e a opinião pública. Sua capacidade de comunicação clara e embasada influenciou diretamente o debate político na Itália, contribuindo para a criação de leis que protegessem os direitos dos cidadãos que emigravam.

Quando relacionamos as figuras de São João Batista Scalabrini, das Scalabrinianas e as diretrizes dessa mensagem, percebemos que o carisma scalabriniano responde com precisão cirúrgica ao desafio comunicativo atual. Em um tempo em que as relações são ampliadas pelas dinâmicas digitais com seus aspectos positivos e críticos, é importante relacionar com a comunicação analógica (aquela que acontece no mundo físico, olho no olho, sem a mediação de telas). A missão com os migrantes exige uma união entre ambas as dinâmicas comunicacionais (digital e analógica) que cria uma comunicação integral, onde a tecnologia potencializa o encontro humano e o encontro humano dá significado à tecnologia.

O tema de 2026: um desafio antropológico

A mensagem pontifícia para este Dia das Comunicações alerta que o avanço da Inteligência Artificial (capaz de simular perfeitamente rostos, vozes e emoções) gera um risco real de “desumanização”. O texto enfatiza que o problema central não é técnico, mas sim antropológico: corremos o risco de preferir a facilidade das interações com bots ou o consumo de conteúdos gerados por algoritmos em vez do esforço do encontro humano. É um apelo contra a invisibilidade e o apagamento da singularidade de cada pessoa.

Scalabrini e a luta contra a invisibilidade

Se estivesse vivo na era da inteligência artificial e dos algoritmos que confinam a sociedade em bolhas, São Scalabrini usaria essas ferramentas com discernimento, mas lutaria ferozmente contra o seu efeito colateral: a indiferença estatística.

Para Scalabrini, o migrante nunca foi um dado abstrato ou uma “compilação estatística” (termo criticado na mensagem papal de 2026). Ele viajou, visitou, ouviu e deu nome aos migrantes que a política italiana preferia ignorar.

O tema de 2026 pede para “preservar as vozes”. Scalabrini fez exatamente isso ao escrever cartas pastorais e demais comunicados: ele emprestou sua voz e autoridade episcopal para que o clamor dos que sofriam nos “porões dos navios” cruzasse o oceano e ecoasse nos espaços eclesiásticos e políticos.

As Scalabrinianas e a comunicação onlife encarnada

Nenhum lugar expressa melhor o lema “Preservar vozes e rostos humanos” do que a atuação cotidiana das Irmãs Scalabrinianas nas fronteiras e centros de acolhida pelo mundo.

Enquanto as redes sociais em 2026 muitas vezes desumanizam o migrante por meio de discursos de ódio e polarização alimentados por algoritmos, as Irmãs oferecem o encontro “onlife”, onde a barreira entre o mundo físico (offline) e o mundo digital (online) desapareceu por completo, que acolhe, protege, promove e integra os migrantes e refugiados. Elas limpam as feridas, olham nos olhos e escutam histórias com empatia real e digital!

Diante do risco de “silenciar a própria voz” no ambiente digital, a pastoral de comunicação das Scalabrinianas atua para que a mulher migrante, o refugiado e a criança sejam sujeitos de sua própria narrativa, tanto nas telas quanto fora delas. Elas organizam rodas de conversa presenciais, apoio psicológico e canais de comunicação digitais no ecossistema global da internet.

Como a própria Igreja refletiu neste Dia das Comunicações, o problema atual não é a tecnologia, mas achar que o “engajamento virtual” substitui a profundidade do acolhimento, ele, porém, expandem, complementam, unem e engajam. As Scalabrinianas usam o digital sem medo do novo, objetivando a verdadeira transformação social que acontece também na acolhida, no abraço e na partilha do pão. Ter essa postura limpa de “ranço” em relação ao digital é o que permite uma verdadeira revolução na acolhida e na evangelização hoje.

Se o migrante está no TikTok, no WhatsApp ou Facebook buscando rotas de fuga, informações sobre vistos ou apoio emocional, é ali que a Igreja e as Scalabrinianas precisam estar. Ter ranço do digital, para uma missionária hoje, significaria abandonar o migrante onde ele mais passa o seu tempo. Olhar para a tecnologia “sem ranço” é entender que o digital não veio para substituir o coração humano, mas para ser o megafone e a extensão dos nossos braços e abraços. Na cultura onlife, a santidade e a solidariedade também passam pelos bits e bytes. Se São João Batista Scalabrini vivesse hoje, ele seria o primeiro a usar as redes sociais e a Inteligência Artificial. No seu tempo, ele não teve ranço dos navios ou das tecnologias de ponta da época, ele os utilizou para conectar continentes e salvar vidas!

No Dia Mundial das Comunicações Sociais de 2026, a sinergia Scalabriniana deixa uma lição clara: em tempos de identidades virtuais e inteligências artificiais, a comunicação mais revolucionária e profética continua sendo aquela que unes as duas dimensões: digital e presencial. Ela é feita de algoritmos e de presença, escuta e proximidade. Preservar o rosto do migrante é, em última análise, preservar a nossa própria humanidade. como um fardo, mas como uma semente de um novo amanhã, regada pela esperança e pela acolhida cristã.

Por Wellington Barros, pelo Serviço de Comunicação

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