O Papa Leão XIV iniciou nesta quarta-feira, 15, sua viagem apostólica a Camarões. Essa é a segunda parada do pontífice no continente africano, após passar pela Argélia e antes de seguir para Angola e Guiné Equatorial.
Durante o voo de Argel a Iaundé, o Papa destacou aos jornalistas sua gratidão às autoridades argelinas pela recepção no país. Ele sublinhou, também, a importância da figura de Santo Agostinho, que foi bispo de Hipona (atual Annaba) por mais de 30 anos
“Creio que tivemos uma oportunidade verdadeiramente maravilhosa de continuar a construir pontes e a promover o diálogo”, ressaltou o pontífice, que sublinhou que a visita à mesquita em Argel demonstrou que é possível viver em paz apesar das diferenças. “Promover este tipo de visão é algo de que o mundo precisa hoje, e juntos podemos continuar a oferecê-la no nosso testemunho, enquanto prosseguimos nesta jornada apostólica”, afirmou.
Encontro com as autoridades, a sociedade civil e o corpo diplomático
No primeiro dia da visita a Camarões, o Papa Leão XIV se encontrou com as autoridades, a sociedade civil e o corpo diplomático no Palácio Presidencial, em Iaundé. “Venho até vós como pastor e como servidor do diálogo, da fraternidade e da paz”, afirmou o pontífice em seu discurso, que destacou que a visita expressa o carinho do sucessor de Pedro pelo povo de Camarões.
Ele recordou que, assim como outras nações, Camarões também atravessa momentos difíceis com as tensões e a violência que afetaram algumas regiões do Noroeste, do Sudoeste e do Extremo Norte do país. Leão XIV recordou as vidas perdidas, os deslocados, crianças privadas da escola e jovens que não vislumbram futuro, destacando que “por trás das estatísticas, há rostos, histórias e esperanças feridas.”
O Papa recordou, ainda, seu convite, no início do ano, à humanidade para “rejeitar a lógica da violência e da guerra” e abraçar “uma paz que seja desarmada, ou seja, não fundada no medo, na ameaça ou nas armas; e desarmante, porque capaz de resolver os conflitos, abrir os corações e gerar confiança, empatia e esperança.”
Leão XIV destacou que a República dos Camarões “possui os recursos humanos, culturais e espirituais necessários para superar as provações e os conflitos e avançar rumo a um futuro de estabilidade e prosperidade partilhada” e incentivou aos governantes que invistam no futuro dos jovens. “Naturalmente, quando o desemprego e a exclusão persistem, a frustração pode gerar violência. Investir na instrução, na formação e no empreendedorismo dos jovens é, portanto, uma escolha estratégica para a paz”, ressaltou.
Visita ao Orfanato Ngul Zamba
Ainda neste primeiro dia de visita, o Papa Leão XIV visitou o Orfanato Ngul Zamba, onde destacou que, “em um mundo frequentemente marcado pela indiferença e pelo egoísmo, esta casa recorda-nos que somos todos guardiões dos nossos irmãos e irmãs e que, na grande família de Deus, ninguém é jamais um estrangeiro ou um esquecido, por menor que seja.”
Falando às crianças acolhidas no orfanato, o Papa ressaltou a proximidade de Deus para com seu sofrimento e o carinho Dele por cada uma delas. “Vós sois chamados a um futuro maior do que as vossas feridas. Sois portadores de uma promessa”, afirmou o pontífice.
Ele expressou, ainda, sua gratidão aos profissionais que acompanham as crianças, sublinhando que o seu empenho é um testemunho de amor. “A vossa atenção reflete o rosto da misericórdia divina. Através dela e da vossa dedicação, ofereceis muito mais do que apoio material: ofereceis a estas crianças uma presença, uma escuta, uma família, um futuro”, disse.
Neste primeiro dia da visita, o Papa Leão XIV ainda se encontrará de forma privada com os Bispos de Camarões, na Sede da Conferência Episcopal.
Programação da visita a Camarões
No segundo dia da visita, o Pontífice se deslocará a Bamenda, onde realizará o Encontro pela Paz com a Comunidade de Bamenda, na Catedral de São José e celebrará a Santa Missa no Aeroporto de Bamenda, antes de retornar para Iaundé.
No terceiro dia, o Papa irá até Douala, onde celebrará a Santa Missa no Japoma Stadium e fará uma visita privada ao Hospital Católico Saint Paul, retornando a Iaundé em seguida, onde realizará um encontro com universitários na Universidade Católica da África Central. O Pontífice partirá para Luanda, em Angola, no dia 18 de abril.
Por Amanda Almeida, do Serviço de Comunicação














