A Organização das Nações Unidas (ONU) adotou na quarta-feira, 25, uma resolução que define a escravização de africanos como o “crime mais grave contra a humanidade”. A votação final teve 123 Estados-membros a favor, três contra e 52 abstenções.
O texto estabelece que os Estados-Membros da ONU devem considerar a apresentação de desculpas pelo tráfico de escravizados e contribuir para um fundo destinado à reparação para o crime, ocorrido desde o Século 15. A proposta foi apresentada pelo presidente de Gana, John Mahama, um dos países mais afetados pelo comércio de africanos escravizados.
A resolução destaca, ainda, que o tráfico de africanos escravizados em larga escala marcou uma ruptura profunda na história humana, cujas consequências se estenderam por séculos e continentes.
O documento ressalta a importância de se abordar as injustiças históricas que afetam os africanos e as pessoas de ascendência africana de uma maneira que sejam promovidos a justiça, os direitos humanos, a dignidade e a reparação. A resolução também solicita que seja feita de forma pronta e desimpedida a restituição de bens culturais, objetos de arte, monumentos, peças de museu, artefatos, manuscritos e documentos, e arquivos nacionais.
A presidente da Assembleia Geral, Annalena Baerbock, recordou o trabalho escravo nos EUA, Brasil, Barbados, Jamaica, além de outras dezenas de lugares e frisou que enfrentar essas injustiças é um imperativo moral.
“O tráfico de escravos e a escravidão estão entre as mais graves violações dos direitos humanos na história da humanidade – uma afronta aos próprios princípios consagrados na Carta das Nações Unidas e na Declaração Universal dos Direitos Humanos, que nasceram, em parte, dessas injustiças do passado”, disse a presidente da Assembleia.
Por Amanda Almeida, do Serviço de Comunicação, com informações da ONU News















